“Podemos viver sem ouro, não sem água”, diz Miriam Quezada, 57 anos, repetidamente. Presidente da rede autogerida de água da província de Azuay, no sul do Equador, ela luta para impedir que mineradoras se instalem nas montanhas. O confronto já dura vinte e cinco anos. Em Setembro, sob pressão das ruas, o governo do presidente Daniel Noboa retirou, nomeadamente sob o constrangimento do movimento ambientalista, a licença ambiental concedida dois meses antes à empresa canadiana Dundee Precious Metals (DPM). “Ganhamos a rodada, não o jogodeclara, com um suspiro, Miriam Quezada. Noboa é filho de um milionário, muito favorável à iniciativa privada. Ele não vai desistir. » Joaquim Martinez, ativista da Frente Nacional Antimineração, concorda. “A resistência continua, aqui na cidade de Cuenca e em todo o país”ele conclui.
“Recusar a mineração não faz sentido, considera, em contrapartida, Maria Eulália Silva, presidente da Câmara da Atividade Mineira. O O mundo precisa de minerais, especialmente para permitir a transição energética. Um carro elétrico consome quatro vezes mais cobre do que um carro tradicional. A inteligência artificial também exige isso. E o Equador precisa de rendimentos para garantir o seu desenvolvimento. » Um quarto dos 18 milhões de habitantes do país vive abaixo da linha da pobreza.
Você ainda tem 86,44% deste artigo para ler. O restante é reservado aos assinantes.