Já disponível na Netflix, este filme de Brian De Palma com Al Pacino no papel principal foi um fracasso retumbante quando foi lançado em 1983.

Quando um filme não faz sucesso quando é lançado nos cinemas, às vezes ganha uma segunda vida. Nesta categoria de filmes redescobertos ao longo dos anos, Scarface está entre os casos mais famosos.

Se já não é possível contestar o estatuto da longa-metragem de Brian De Palma como obra de culto, como evidencia a quantidade de produtos derivados que ostentam a imagem do seu anti-herói Tony Montana, importa, no entanto, recordar que, quando foi lançado em 1983, Scarface (remake do filme homónimo de Howard Hawks, lançado em 1932) foi recebido por críticas unanimemente negativas.

Massacrado pelos críticos após o lançamento

“Uma paródia cruel de O Poderoso Chefão que entretém apenas dez minutos” (de acordo com o Boston Globe) ou “duvidamos que os autores do filme original se sintam honrados por este filme ser dedicado a eles” (de acordo com o Chicago Reader) são apenas exemplos simples dos inúmeros artigos assassinos que saudaram o filme após seu lançamento, que também foi indicado no ano seguinte para o Prêmio Razzie de Pior Diretor.

Quintessência do cinema dos anos 80 (até a trilha sonora de Giorgi Moroder), tanto pelas qualidades quanto pelos excessos, Scarface foi dirigido por Brian De Palma então no auge de sua arte, servido pelo roteirista Oliver Stone então coroado pelo sucesso de seus dois roteiros anteriores (Midnight Express, premiado com o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, e Conan, o Bárbaro).

Críticas contundentessonho americano dos anos Reagan (a sequência de abertura usa imagens da atualidade), Scarface é provavelmente o filme mais representativo de sua época. Tudo em Scarface é passível de exagero: a violência é levada ao extremo, os personagens são todos caricaturados e o filme aposta na estética chamativa e colorida dos anos 80.

Imagens Universais

O mundo é seu

No papel-título do “marcado” Tony Montana, Al Pacino assina uma atuação excessiva, na pele desse bandido vulgar e impulsivo contrastando literalmente com a imagem do mafioso frio e calculista de Michael Corleone, a quem interpretou nas duas primeiras partes de O Poderoso Chefão (a terceira obra só seria lançada alguns anos depois de Scarface).

À sua frente, Michelle Pfeiffer apresenta uma atuação de alto nível. Esta mulher de alta classe é vista por Tony Montana como o troféu que marcará a sua ascensão ao cume do sonho americano. Elvira concordará em casar-se com ele, numa cerimónia marcada pelo luxo, mas nunca em se submeter a ele.

Um filme importante na cultura popular americana

Redescoberto nos anos seguintes ao seu lançamento graças às suas emissões televisivas, mas também graças ao mercado de VHS, Scarface é hoje considerado um dos filmes mais emblemáticos dos anos 80, sendo por vezes a longa-metragem incluída na lista dos melhores filmes de todos os tempos.

Obra essencial do filme de gângster, Scarface continua a influenciar inúmeras obras até hoje, seja na série Breaking Bad (que viu Steven Bauer – o intérprete de Manny, braço direito de Tony Montana – assumir o papel de chefe do cartel mexicano) ou a saga de videogame Grand Theft Auto (e mais particularmente “Vice City”).

Longa-metragem icônico dos anos 80, Scarface já pode ser encontrado na Netflix!

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