A doença de Alzheimer continua a ser um grande desafio para a medicina moderna. Por outro lado, um estudo publicado em 2023 pela Universidade de Washington em St. Louis lança uma nova luz sobre a ligação entre o sono e esta patologia neurodegenerativa. Os pesquisadores descobriram que um medicamento comumente prescrito para insônia pode ter efeitos benéficos inesperados nos marcadores moleculares da doença.

Você sabia disso? Certos alimentos podem ser responsáveis ​​por um risco aumentado de desenvolver a doença de Alzheimer. Descriptografia em La Santé sur Listening. ©Futura

Sono, um aliado inesperado contra o Alzheimer

O sono desempenha um papel crucial na saúde do cérebro. Estudos anteriores associaram distúrbios do sono ao desenvolvimento da doença de Alzheimer. Na verdade, os distúrbios do sono podem ser um sinal de alerta da doença, aparecendo bem antes dos sintomas cognitivos clássicos, como a perda de memória.

Os cientistas acreditam que o sono permite cérebro “limpar-se” eliminando proteínas toxinas acumuladas durante o dia. Entre essas proteínas, encontramos em particular:

Sabe-se que estas duas proteínas formam agregados nos cérebros de pacientes com Alzheimer. O acúmulo dessas proteínas é considerado fator chave no desenvolvimento da doença.


Esta popular pílula para dormir pode ajudar a combater a doença de Alzheimer. © glegorly, iStock

Suvorexant: um comprimido para dormir com propriedades inesperadas

O estudo liderado pelo Dr. Brendan Lucey e sua equipe se concentrou no suvorexante, um medicamento comumente prescrito para tratar a insônia. Os resultados foram surpreendentes: após apenas duas noites de tratamento, os participantes apresentaram uma ligeira diminuição nos níveis de beta-amilóide e tau nos seus líquido cefalo-espinhal.

Aqui está uma tabela resumo dos principais resultados:

Proteína

Redução observada

Duração do efeito

Beta-amilóide

10-20%

36 horas

Tau hiperfosforilado

Variável

24 horas

Embora estes resultados sejam encorajadores, o Dr. Lucey enfatiza que seria prematuro considerar o suvorexant como um tratamento preventivo para a doença de Alzheimer. O estudo, limitado na sua duração e amostra, requer investigação adicional para confirmar estes efeitos a longo prazo.

Rumo a novos caminhos terapêuticos

Esta descoberta abre novas perspectivas na investigação da doença de Alzheimer. Até o momento, os tratamentos destinados a reduzir o acúmulo de proteínas tóxicas não produziram os resultados esperados. Esta abordagem inovadora, orientada para o sono, poderá constituir uma alternativa promissora.

Contudo, é vital observar que o uso prolongado de pílulas para dormir não é isento de riscos. Os possíveis efeitos colaterais incluem:

  1. vício;
  2. uma redução na qualidade sono profundo ;
  3. distúrbios de vigilância diurno.

Dr. Lucey enfatiza a importância de melhorar a higiene do sono e tratar distúrbios do sono existente, como oapnéia do sonopara manter uma boa saúde cerebral em qualquer idade.

Uma esperança cautelosa para o futuro

Embora este estudo lance uma nova luz sobre a ligação entre o sono e a doença de Alzheimer, ainda há um longo caminho a percorrer. Os investigadores esperam desenvolver medicamentos que explorem esta ligação para prevenir o declínio cognitivo. No entanto, como nos lembra o Dr. Lucey, “ainda não chegámos lá”.

Enquanto se aguardam novos avanços, a importância do sono de qualidade para a saúde do cérebro é mais enfatizada do que nunca. Este estudo, publicado em Anais de Neurologiamarca um passo encorajador na compreensão e na luta contra a doença de Alzheimer.

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