O presidente dos republicanos, Bruno Retailleau, apelou mais uma vez ao primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, para usar a arma constitucional de 49,3 para conceder um orçamento “responsável pelo país”em entrevista publicada online sábado no siteOeste da França. “O primeiro-ministro deve, prioritariamente, deixar de ceder tudo aos socialistas”afirma o ex-ministro do Interior, que retomou o cargo de senador da Vendéia no início de novembro.
Ele critica Sébastien Lecornu por ter concedido contra o partido de Olivier Faure “menos poupança e mais impostos, défice, dívida”. Concessões, incluindo o compromisso de não recorrer ao 49.3, que permitiu a aprovação do orçamento da Segurança Social, mas não do Estado.
“O que peço a Sébastien Lecornu é que volte atrás e aproveite 49,3 para dar ao país um orçamento responsável, consistente com o interesse da nação, com menos impostos e despesas”explica Bruno Retailleau, sobre este procedimento constitucional que permite a aprovação de um texto sem votação, exceto uma moção de censura.
“Uma forma de confronto com o Senado”
Depois do fracasso, na sexta-feira, de uma comissão de senadores e deputados que procurava chegar a acordo sobre um texto de compromisso, Sébastien Lecornu deve receber as forças políticas na segunda-feira. Depois, um conselho de ministros deve realizar-se à noite. A hipótese preferida é a de uma lei especial, que permita a renovação provisória do orçamento de 2025, que seria votada até terça-feira à noite pelas duas câmaras do Parlamento.
O presidente dos Republicanos, cujos mais de um terço dos deputados não seguiram as instruções de não votação do orçamento da Segurança Social, acusa o chefe do Governo de procurar “uma forma de confronto com o Senado, para contorná-lo”. Ao assinalar esta semana a impossibilidade de chegar a um compromisso relativo ao orçamento antes de 31 de Dezembro, Sébastien Lecornu dirigiu-se, sem os nomear, aos senadores e à sua sólida maioria da direita e do centro, deplorando “a falta de vontade de sucesso por parte de alguns parlamentares”.
Nesta entrevista, Bruno Retailleau, que guarda rancor do primeiro-ministro, afirma não ter tido contacto com ele desde o fracasso, em 5 de outubro, do seu primeiro governo, que durou apenas algumas horas. Ele o acusa de ter escondido dele a nomeação de Bruno Le Maire para a defesa. “Sou uma pessoa rural. Não gosto de distorcer uma determinada palavra.”afirma o Vendéen, que acusa o ex-ministro das Finanças de ser “a pessoa responsável por mais de um trilhão de dívidas”.