EUhá um mês, em 3 de outubro, Antoni Lallican, fotojornalista francês [et collaborateur du « Monde »]foi morto por um ataque deliberado de drone FPV russo [first-person view]não muito longe da cidade de Kramatorsk, no Oblast de Donetsk. Ao lado dele, George Ivanchenko, um fotojornalista ucraniano, ficou gravemente ferido. Ambos foram visados no exercício da sua função, enquanto cobriam a construção de fortificações na região, a cerca de vinte quilómetros da frente.
Em 5 de outubro, a Procuradoria Nacional Antiterrorismo francesa abriu uma investigação por “crimes de guerra”, confiada ao Gabinete Central de Luta contra os Crimes contra a Humanidade e os Crimes de Ódio. Nas primeiras horas seguintes ao ataque, o Presidente da República, Emmanuel Macron, falou nas redes sociais para confirmar o ataque russo.
Foi apenas um mês depois, e após vários pedidos, que o Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros condenou timidamente esta greve numa declaração geral por ocasião do Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes Cometidos contra Jornalistas.
Até à data, porém, o Estado francês ainda não solicitou oficialmente a representação diplomática russa em França. A inacção do poder executivo francês, embora muito activo na questão ucraniana e sempre rápido na defesa da liberdade de imprensa, face ao assassinato de um dos seus cidadãos, um fotojornalista, surpreende e levanta questões.
O “safári humano”
Antoni Lallican é o primeiro jornalista morto por um ataque de drone russo desde o início da invasão em grande escala da Rússia na Ucrânia. Desde os primeiros dias do conflito, em 2022, viajou ao país para documentar o dia a dia dos civis. Desde então, ele continuou a explorá-lo e a testemunhar a brutalidade e a barbárie do regime russo e do seu exército. Já há um ano, em Novembro de 2024, ele foi à cidade de Kherson para cobrir o que hoje chamamos de “safári humano”: uma verdadeira caçada humana perpetrada por tropas russas, usando drones explosivos.
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