A LISTA DA MANHÃ

Esta semana “Le Monde des livres” convida você a ler o novo volume do Diário do escritor suíço e parisiense Paul Nizon, sempre pulsando de vida; o último volume, até hoje inédito, das Memórias da escritora russa Nadejda Mandelstam, guardiã da obra poética de seu marido, Ossip Mandelstam; o primeiro romance da escritora irlandesa Sheila Armstrong, Lavado na costalindo memorial aos trabalhadores marítimos; a rica síntese de meio século de pesquisa histórica sobre o corpo no Ocidente, com A Lógica do Corpode Georges Vigarello; finalmente, o novo romance de Hélène Gestern, Oficina 4em torno de um acidente de trabalho fatal que é mais do que suspeito.

JORNAL. “O prego na cabeça”, de Paul Nizon

“Não podemos falar, no que me diz respeito, de vida paralela à escrita, visto que coloquei todos os ovos na mesma cesta”observa o escritor suíço Paul Nizon no novo volume do seu Diário, que aparece em francês sob o título O prego na cabeça e que abrange o período 2011-2020, ou seja, os seus anos octogenários. Desta correspondência íntima entre a vida e a escrita, poderíamos deduzir que Paul Nizon é um grafomaníaco, mas este atalho perderia o essencial, porque o seu desejo de escrever não é uma obsessão – é uma exigência.

Nesta perspectiva, o seu Diário desempenha um papel capital, sendo o elemento autobiográfico um trampolim para o mundo. Cada data (o Diário não se guarda do dia a dia) é objecto de uma reflexão sobre a escrita, a solidão, a identidade, um livro, um filme, Paris… ou então a evocação de um facto cuja análise inscreve a parte factual no universal por um jogo de reflexões que remete para fora, daí a riqueza destas páginas que dão sempre a impressão de fuga.

O prego na cabeça é o sexto volume do Diário de Paul Nizon, iniciado em 1961. O autor retorna a assuntos já mencionados, mas aqui abordados sob diferentes luzes e ângulos, de modo que nunca se tenha uma sensação de repetição, mas, pelo contrário, uma sensação de enriquecimento. Todas as observações de Prego na cabeça são datados em Paris, com exceção de cerca de dez fabricados na Suíça. Seu grande modelo continua sendo um escritor suíço que se tornou cult após sua morte, Robert Walser (1878-1956). Tal como ele, Paul Nizon é atormentado pelo que chama de “sobrevivência literária”. Mas, antes da sobrevivência, existe a vida emocionante desta prosa estóica e corajosa. PDs

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