Captura de tela de um vídeo do Instagram mostrando um grupo de homens judeus orando nas ruas de Marrakech, Marrocos, em 21 de abril.

UM “provocação” para alguns, um “cena inócua” para outros. Desde a sua transmissão nas redes sociais, na terça-feira, 21 de abril, um vídeo de religiosos hassídicos rezando nas ruas de Marrakech incendiou a web marroquina. Consultado mais de um milhão de vezes, provoca reações contrastantes, como um país dividido entre o apego da sua população à causa palestiniana, a retomada oficial das relações com Israel em 2020 e a presença no seu solo de uma comunidade judaica com dois mil anos.

É em frente às muralhas de Bab Doukkala, uma das portas de acesso à cidade velha de Marraquexe, que cerca de trinta homens barbudos, casacos longos, cafetãs e chapéus pretos foram filmados rezando à noite. O seu número e o seu traje, diferente do dos judeus marroquinos, eram surpreendentes.

Em reacção, os internautas marroquinos, os governantes eleitos e parte da sociedade civil denunciam “uma manifestação do sionismo”enquanto a guerra em Gaza, e agora as do Irão e do Líbano, acirraram os opositores à normalização com o Estado judeu, cujas sondagens de opinião mostram que representam a esmagadora maioria da população. Muitos outros comentários online são mais diretamente antissemitas, sem referência a Israel ou ao Médio Oriente.

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