
Este telescópio de última geração “oferecerá à Terra um novo Atlas do Universo”, exultou o chefe da NASA, Jared Isaacman, em 21 de abril de 2026, do Goddard Center da agência espacial americana em Maryland (leste), onde terminou de ser montado. Com mais de 12 metros de altura, este dispositivo prateado equipado com imensos painéis solares será agora transportado para a Flórida com o objetivo de ser enviado ao espaço no início de setembro, no mínimo, a bordo de um foguete SpaceX.
Desenvolvido por mais de uma década a um custo superior a US$ 4 bilhões, foi nomeado em homenagem a uma das maiores astrônomas americanas, Nancy Grace Roman, apelidada de “mãe do Hubble”, em homenagem ao nome de outro telescópio emblemático da NASA. Mais de 35 anos após a entrada em serviço deste último, que nos ensinou nomeadamente que o nosso Universo estava a expandir-se mais rapidamente do que pensávamos, o Telescópio Espacial Romano será responsável por responder a questões que permanecem sem resposta.
“Isso nos enviará 11 terabytes de dados por dia”
Com o seu amplo campo de visão, mais de 100 vezes maior que o do Hubble, percorrerá grandes áreas do céu a partir de um ponto de vista privilegiado, a 1,5 milhões de quilómetros da Terra. “Irá enviar-nos 11 terabytes de dados por dia, o que significa que só no primeiro ano nos terá fornecido mais dados do que o telescópio Hubble terá recolhido em toda a sua vida.”aponta Mark Melton, engenheiro de sistemas romano da AFP.
Graças a esta lente grande angular, a NASA poderá realizar um vasto censo dos objetos que constituem o nosso Universo, explica Nicky Fox, chefe das atividades científicas da NASA, que espera assim “descubra dezenas de milhares de novos planetas” ou mesmo “milhares de supernovas”, isto é, estrelas massivas no final de suas vidas.
O romance também visa estudar o invisível
Tanta informação que permitirá à NASA determinar áreas de interesse que poderão então ser analisadas por telescópios complementares como o famoso James Webb. Mas Roman também pretende estudar o invisível: a matéria escura e a energia, cujas origens não conhecemos, mas que pensamos representar 95% do nosso Universo.
Graças à sua visão infravermelha, ele poderá observar a luz emitida por objetos celestes há bilhões de anos e assim voltar no tempo para compreender melhor esses dois misteriosos fenômenos. A primeira é percebida como uma espécie de cola gravitacional e a segunda como uma força repulsiva envolvida na famosa expansão do nosso Universo.
Complementando o trabalho do Observatório Rubin no Chile e da sonda Euclides da Agência Espacial Europeia (ESA), permitir-nos-á “estudar como a matéria escura é estruturada ao longo do tempo cósmico”, mas também para calcular “velocidade” ao qual alguns “as galáxias estão se afastando de nós”, explica à AFP Darryl Seligman, professor-pesquisador de astronomia da Universidade de Michigan, que não esconde o entusiasmo por este novo telescópio.
“As observações atuais sugerem que o nosso modelo padrão do Universo está incorreto”
Estas observações poderão de facto revolucionar a nossa compreensão atual da estrutura do Universo, afirma Julie McEnery, astrofísica responsável pelo telescópio romano. “As observações atuais sugerem que o nosso modelo padrão do universo está incorreto. Roman será capaz de confirmar isso e nos colocar no caminho para entender o que é certo.”ela analisa.
O maior valor deste novo telescópio reside assim nesta parte do desconhecido, insistem os especialistas: o que nos permitirá descobrir e que hoje nem sequer é imaginável. “Se Roman ganhar o Prêmio Nobel, provavelmente será por algo em que ainda nem pensamos”, sorri Mark Melton.