Enquanto prepara o almoço em grandes panelas, Cleonice Patrícia, aposentada de 56 anos, examina as rachaduras que racham as paredes da cozinha de sua casinha de barro. “Ela vai desmaiar.”repete o cinquentão com ar resignado no início de janeiro. Ela mora no Piauí Poço Dantas, um pequeno vilarejo onde vivem cerca de 80 famílias, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, leste do Brasil.
Assim como muitos vizinhos, ela responsabiliza as explosões na mina de lítio a céu aberto, operada pela empresa canadense Sigma Lithium, a cerca de 1 quilômetro de sua casa, entre os municípios de Itinga e Araçuai, de causar danos à sua casa e levantar nuvens de poeira. Seu trapo velho e puído, que ela carrega no ombro, nunca sai de seu lado. “Você tem que passar o tempo todo!” »ela sussurra.
Mas quando a Sigma iniciou suas operações na região, em 2023, os moradores de Poço Dantas, no Piauí, em sua maioria mineradores artesanais, ficaram cheios de esperança. Romeu Zema, governador de Minas Gerais desde 2018, havia prometido que a exploração do metal cobiçado mundialmente para a fabricação de baterias elétricas permitiria que esta região desfavorecida, que, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, concentra cerca de 85% das reservas de lítio do Brasil, se livrasse do apelido de “vale da miséria”.
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