
No papel, eu disse a mim mesmo “por que não”. Até saí bastante intrigado. Mesmo que seus bons anos tenham ficado para trás, Peter Farrelly sabe como brilhar na comédia que alegremente se transforma em escabroso e sexual. Sem convencer a todos, os roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick sabem fazer isso quando o assunto é humor vulgar, mas bem escrito. Então eu vi Bolas para cimauma antologia de piadas sobre xixi, publicada por Mark Wahlberg e Paul Walter Hauser.
Nos perguntamos como os dois roteiristas pensaram nessa proposta: Brad (Mark Wahlberg) e Elijah (Paul Walter Hauser), dois executivos de marketing de uma empresa de preservativos, desejam obter um contrato de patrocínio para a Copa do Mundo que está sendo realizada no Brasil. Para isso, a segunda inventou uma camisinha completa. Convidados para a final da competição, provocam um incidente internacional durante a partida e alienam todo o país.
Bolas para cima : Mark Wahlberg e Paul Walter Hauser não salvam a crise desta comédia
Bolas para cima não se segura em nada. A explicação extremamente instável de Elijah para justificar essa ideia incompreensível de um preservativo completo dá o tom da primeira sequência. Pior ainda, o humor erra o alvo. O que acontecerá a seguir será ainda mais angustiante. Rhett Reese e Paul Wernick nunca brincam. Quer sejamos clientes ou não, devemos no entanto reconhecer a sua certa eficácia num espírito trash que a saga Piscina morta (as duas primeiras partes) destacadas.
Desta vez, eles caíram muito baixo. Assim como o humor, o cenário é grosseiro. Isso é evidenciado pela cena do Maracanã, o lendário estádio brasileiro, que deveria lançar o filme… e na qual não acreditamos nem um pouco. Sem revelar muito, Brad e Elijah encontram uma maneira de sabotar a final dos locais, contra o inimigo jurado argentino. Esta talvez seja a única boa ideia do filme: jogar com a importância capital do futebol para toda a sociedade auriverde.
Este escândalo desencadeado pelos dois protagonistas diante das televisões de todo o mundo poderia ter desencadeado uma incrível caçada humana nas ruas do Rio. Como um Noite louca onde Steve Carrell e Tina Fey veem todas as cores em uma noite, os estúdios de Hollywood teoricamente sabem como fazer isso quando se trata de comédia desenfreada. Aqui, nada em que cravar os dentes.
Bolas para cima é o símbolo flagrante de uma indústria que empilha produtos de marketing em plataformas
As situações se sucedem sem a menor coerência – Sacha Baron Cohen como irmão (fictício) de cabelos loiros de Gisele Bündchen (obrigado por ela), babas modernas e descoladas não tão não violentas. Na falta de um enredo, cada sequência se estende ao máximo com um peso comovente. O sotaque deliberadamente forçado do intérprete Borat é uma provação. E quanto às piadas sobre pênis e camisinha, o leitmotiv exasperante de Bolas para cima.
O preservativo serve de almofada, de tábua de salvação, de recipiente para cocaína… Apesar do seu inegável potencial cómico, Mark Wahlberg e Paul Walter Hauser só conseguiram tropeçar neste angustiante pântano. Por que Peter Farrelly se perdeu em uma comédia tão vazia? De onde veio a brilhante estupidez de Idiota e mais idiota ? O absurdo hilariante e a ternura de Maria a todo custo ?
Ao lado de Bolas para cimao muito escabroso Bom para atirar seria quase uma obra-prima. A produção desencarnada do cineasta americano não ajuda em nada. Todo o filme parece ter sido desenhado em estúdio ou em tela verde. É o símbolo flagrante de uma indústria que empilha produtos de marketing em plataformas cujo único argumento muitas vezes continua sendo os nomes que cercam o projeto. Por mais talentosos que sejam, não são suficientes para fazer um longa-metragem.