Vejo você novamente esta noite no NRJ12.
Tom Cruise está mais uma vez em destaque na telinha. Enquanto aguardava o lançamento de Missão: Impossível 8ele estará de volta esta noite no NRJ12 em Relatório Minoritário.
O que Tom Cruise procura? O papel de sua vida? Reconhecimento de seus pares? Juventude eterna?
Iremos, portanto, encontrá-lo perdido num universo futurista inspirado num conto de Philip K. Dick. Agente do “pré-crime”, ele é responsável por deter os criminosos antes que eles ajam. Um dia, ele tem a desagradável surpresa de descobrir seu nome numa tela. O computador está claro: em 36 horas, este homem comum terá assassinado um estranho. Para frustrar o destino, ele sai em busca de sua futura vítima. Seus colegas estão atrás dele…
De tirar o fôlego, o filme é repleto de criações inovadoras. Steven Spielberg fez questão de mostrar apenas invenções credíveis, embora futurísticas. Uma aposta de sucesso, e não apenas a nível estético. Quando foi lançado, há mais de 20 anos, a equipe editorial atribuiu-lhe 3 estrelas. Relatório Minoritário e Tom Cruise apareceu na capa da Première (nº 307 – setembro de 2002) para a ocasião. Aqui está nossa análise.

Em seu filme mais emocionante desde Parque JurássicoSteven Spielberg coloca seu virtuosismo e recursos consideráveis a serviço de uma variedade de gêneros que vão da ficção científica ao suspense, passando por policial (filme de detetive de mistério). O resultado é muito mais satisfatório do que frustrante, mesmo que as falhas do filme surjam da sua complexidade. Como em Inteligência Artificial IAo interesse diminui até uma resolução decepcionante com suas reviravoltas previsíveis e convencionais. É como descobrir um motor de produção sob o capô de um carro de luxo. Num mundo onde a velocidade é limitada, isto deve ser encarado como uma fraqueza menor.
O enredo, adaptado do livro de Philip K. Dick, mostra que a pura ficção científica da década de 1950 ainda é perfeitamente relevante hoje. Não só dá o que pensar sobre as implicações de uma sociedade cada vez mais policiada, mas a própria noção de pré-crime encontra um eco preocupante na política de ataques preventivos recentemente adoptada pelos EUA.
Fiel ao espírito de Philip K. Dick, em quem os personagens devem torturar suas mentes para compreender e corrigir uma realidade distorcida, Spielberg sai da melhor forma possível de uma trama complicada, mas nem sempre evita armadilhas narrativas. Perdoaremos a laboriosa cena explicativa em uma estufa, dadas as múltiplas sequências virtuosas, como a invasão de um prédio por policiais robôs filmados em sequência.
Para efeitos do filme, um grupo de cientistas foi especialmente reunido para pensar sobre a probabilidade do futuro daqui a cinquenta anos. O universo urbano que imaginaram ganhou uma realidade extremamente coerente e detalhada graças a uma equipe liderada pelo decorador Alex Mac Dowell (O Corvo, Clube da Luta). Aliás, a publicidade desempenha um papel importante nesta descrição.
Spielberg tem uma atitude bastante questionável neste ponto, denunciando a invasão do posicionamento da marca na ficção, ao mesmo tempo que a explora ao máximo na realidade.
Tom Cruise encarna de forma dinâmica uma personagem tipicamente angustiada pela perda de um filho, acrescentando ao seu currículo mais uma colaboração com um prestigiado realizador. Ao seu lado, o jovem Colin Farrell confirma as esperanças depositadas nele desde a sua descoberta em Terra dos Tigres.
Tom Cruise – Top Gun (1986): “Sempre pensei que era um ator interpretando um personagem que se acha uma estrela”