O que nos diz o autorretrato de uma comunidade, de um território que sofreu uma das guerras mais devastadoras do século XXI?e século ? Em seu livro, Ruínas e luz (Rocher, 368 páginas, 19,90 euros), o padre Gabriel Romanelli, pároco da paróquia católica da Sagrada Família, em Gaza, narra o conflito na privacidade de uma igreja. A obra, escrita com Guillaume de Dieuleveult, jornalista da Fígaro, retrata o seu compromisso espiritual: o de um padre católico, membro de uma congregação conservadora, o Instituto do Verbo Encarnado, numa terra em guerra.
Gabriel Romanelli chegou pela primeira vez ao Médio Oriente em 1995 e desde então quase não saiu desta conturbada região. Em 2019, quando se tornou pároco da paróquia católica de Gaza, a comunidade cristã local estava à beira da extinção – mil pessoas, das quais apenas 120 eram católicas. Uma situação tornada ainda mais difícil pelo conflito.
Padre Romanelli está em Belém no dia 7 de outubro de 2023. Israel responde ao ataque terrorista levado a cabo pelo Hamas com uma guerra de aniquilação em Gaza. A faixa é inacessível aos visitantes, bem como à imprensa internacional. O padre só consegue chegar à sua paróquia em maio de 2024. O livro começa em janeiro de 2025. Naquela época, cerca de 500 pessoas se abrigaram na paróquia, ortodoxos e católicos misturados. Falta tudo, a começar pelo local.
Essa promiscuidade pesa sobre a pequena comunidade. Existem muitos conflitos. Mas a paróquia sobrevive, enquanto Israel decreta em Março um novo bloqueio humanitário que completa a fome da população de Gaza.
“Condenado à morte”
Histórias simples reflectem a angústia absoluta em que toda uma população foi colocada. Porém, no fundo desses abismos, algumas luzes brilham. Uma visita à beira-mar. Ajuda mútua com vizinhos muçulmanos. E, todos os dias, o ex-Papa Francisco, falecido em 21 de abril de 2025, que telefonou às 20h.
Você ainda tem 37,1% deste artigo para ler. O restante é reservado aos assinantes.