A física quântica continua a alimentar fantasias. Ao levar a sua popularização ao extremo e, portanto, distorcê-la fortemente, esta teoria das propriedades microscópicas da matéria e da luz já pode fazer com que as balas passem por dois buracos ao mesmo tempo, os gatos estejam mortos e vivos ao mesmo tempo, os átomos sejam teletransportados instantaneamente… Agora, com uma publicação no dia 2 de março em Pesquisa de revisão físicaa mecânica quântica promete alimentar motores perpétuos… ou quase.

A equipa francesa da Ecole Normale Supérieure (ENS) de Lyon e o laboratório franco-cingapurense Majulab conseguiram assim amplificar um sinal de rádio sem fornecer energia, simplesmente medindo as propriedades de um componente eletrónico. Como se cronometrar um patinador de velocidade fosse suficiente para fazê-lo acelerar. No entanto, vamos abreviar imediatamente os sonhos de energia infinita: “No total, o ciclo custa mais energia do que a recuperada”especifica Benjamin Huard, pesquisador do CNRS na ENS Lyon.

Porém, o experimento traz diversos avanços na emergente disciplina da “energia quântica” e também vale pela beleza conceitual.

A ideia vem de longa data. “Em 2015, numa praia da Nova Caledónia”afirma Alexia Auffèves, diretora de pesquisa do CNRS e diretora do Majulab, coautora do artigo. Na época, o pesquisador estava interessado nos fundamentos da mecânica quântica e, em particular, na termodinâmica quântica, área que tenta adaptar conceitos e leis clássicas da energia ao mundo microscópico das partículas. Com os seus colegas, ela transformou o gatilho inicial ao publicar em 2017 um novo conceito de extração de energia, não a partir de uma diferença de temperatura entre dois sistemas, mas através da medição do estado de um objeto.

A “medição” na mecânica quântica é menos simples do que parece. No mundo clássico, pode-se cronometrar uma partícula e depois fotografá-la, ou fazer as operações na ordem inversa, com os mesmos resultados. Não no mundo quântico, onde a ordem é essencial, tornando impossível o conhecimento preciso e simultâneo da velocidade e da posição. Além disso, as partículas podem estar numa superposição de dois estados, tornando certas medições imprevisíveis. O que chamamos de aleatoriedade quântica.

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