O sindicato da escola primária FSU-SNUipp protesta contra a eliminação dos cargos docentes, diante da reitoria de Paris, 11 de fevereiro de 2025.

Até 2035, o sistema escolar francês terá menos dois milhões de alunos do que em 2019. Esta nova situação demográfica coloca a educação nacional perante grandes escolhas quanto às condições de supervisão dos alunos ou à rede territorial de escolas. Levanta também uma questão raramente levantada no debate público e que é tema de nota publicada terça-feira, 3 de março, pelo Instituto de Políticas Públicas (IPP): a do equilíbrio entre os setores de educação privada e pública nas grandes cidades.

Este estudo, realizado pelos investigadores Pauline Charousset e Julien Grenet, mostra que, nestas áreas onde o sector privado sob contrato está muito estabelecido, “a queda nos números tende a desequilibrar a distribuição dos alunos” entre os dois setores em detrimento do público. Um desenvolvimento que, dado o perfil social dos estudantes recrutados por estabelecimentos privados, reforçará a segregação social, caso não seja implementado nenhum mecanismo regulatório, alertam os autores.

Esta dinâmica é particularmente visível em Paris, estando a capital na vanguarda do declínio demográfico. O número de nascimentos caiu 32% entre 2010 e 2024, levando, com alguns anos de atraso, a um claro declínio nas matrículas escolares. O número de alunos CP caiu 19% entre 2016 e 2024, e as entradas em 6e de 10% entre 2020 e 2024. Esta redução foi, no entanto, apenas absorvida pelo público, enquanto a mão-de-obra privada sob contrato permaneceu relativamente estável devido às significativas listas de espera à entrada destes estabelecimentos e à sua possibilidade de recrutamento fora de Paris.

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