(…) Numa altura em que as certezas vacilam, quando os adversários se tornam encorajados, quando as alianças se desvanecem, a dissuasão é e deve continuar a ser um intangível francês. (…)

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Nosso impedimento é robusto e eficaz. Todos aqueles que teriam a audácia de querer atacar a França sabem o preço insuportável que teriam de pagar. Mas intangível não significa inerte. Em Fevereiro de 2020, há seis anos, fiel à tradição republicana, delineei os fundamentos da nossa doutrina nuclear e o seu lugar no mundo. Desde então, as coisas mudaram. Os seis anos que se passaram para a França e para a Europa pesam como décadas. E os últimos meses parecem anos. Nossos concorrentes evoluíram, assim como nossos parceiros. O mundo está ficando mais difícil e as últimas horas demonstraram isso novamente. É portanto com muita seriedade que venho hoje anunciar à Nação um desenvolvimento que vai ao encontro dos nossos desafios nacionais e europeus. Devemos reforçar a nossa dissuasão nuclear face à combinação de ameaças e devemos pensar na nossa estratégia de dissuasão nas profundezas do continente europeu, no pleno respeito pela nossa soberania, com o estabelecimento gradual daquilo que eu chamaria de dissuasão avançada.

Sim, vivemos atualmente, geopoliticamente, um período de ruptura, cheio de riscos, e os nossos compatriotas têm plena consciência disso. Este período justifica um aperto do nosso modelo. A Rússia está a travar uma guerra lenta e cruel na vizinha Ucrânia que, tal como a nossa análise estratégica nacional identificou, constitui um grande risco para a nossa Europa. Esta mesma Rússia assume o revisionismo, o imperialismo brutal e, já com um arsenal nuclear pletórico, continua a desenvolver novas armas. (…)

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