Ele está tremendo, parecendo assustado, mas está seguro. Paquito, um cachorrinho de pelagem branca e preta, foi resgatado de uma zona de risco dois dias depois de chuvas torrenciais que deixaram mais de 50 mortos no sudeste do Brasil.
Quando as áreas afetadas por deslizamentos de terra eram evacuadas, os animais de estimação muitas vezes permaneciam em casas ameaçadas por novos deslizamentos de terra.
“As pessoas têm que correr e não têm tempo de levar seus animais de estimação. Cabe a nós salvá-los dos escombros, examiná-los e depois devolvê-los aos seus donos”, disse à AFP Marina Souza, veterinária voluntária do Grupo de Resgate de Animais em Desastres Naturais (Grad).
As chuvas que começaram na noite de segunda para terça-feira assolaram os municípios de Juiz de Fora e Ubá, região montanhosa do estado de Minas Gerais (sudeste).
Pelo menos 55 pessoas morreram em inundações e deslizamentos de terra e 13 pessoas ainda estão desaparecidas.
Alferina Maria, dona de casa de 45 anos, não conseguiu levar Paquito consigo ao evacuar Três Moinhos, bairro pobre de Juiz de Fora atingido por dois deslizamentos de terra em três dias.
“Disseram-nos para apenas levarmos os nossos documentos de identificação para sairmos do perigo o mais rápido possível, mas eu estava preocupada com o Paquito. Ele pertencia à minha mãe, que faleceu (antes do mau tempo), e ele tinha ficado em casa”, disse ela.
– Cães, gatos e periquitos –
Gina Lourenço de Souza, outra moradora do bairro, caminha por um beco íngreme e escorregadio da lama, com os braços carregados de duas gaiolas cheias de pássaros.
“Quando o chão cedeu, levei apenas minha gatinha e dois periquitos. Hoje consegui ir buscar meus filhotes”, os outros pássaros, disse esta faxineira de 46 anos, com falta de ar e lágrimas nos olhos.

“Minha mãe, minha filha, meu marido e eu estamos seguros, mas minha família também é formada por seres peludos e emplumados”, diz ela.
A veterinária Marina Souza tem muito o que fazer em Três Moinhos, onde salvou cerca de quinze cães em poucas horas na quinta-feira.
Seu resgate mais memorável? A do cachorrinho Benny, em outra área de desastre de Juiz de Fora.
“Era de um menino de 11 anos que desapareceu após um deslizamento de terra. Salvamos o cachorro, mas soubemos que os bombeiros encontraram o corpo do menino”, conta emocionada.
O destino dos animais de estimação é um assunto particularmente importante no Brasil, onde o número de cães e gatos supera em muito a população com menos de 14 anos, num país onde a taxa de natalidade está caindo.