
Cerca de dez ativistas do Greenpeace foram presos quinta-feira em Buenos Aires após entrarem brevemente no Parlamento argentino para protestar contra um projeto de lei sobre a atividade de mineração em áreas glaciais, debatido no Senado, disseram autoridades e a organização.
Na manhã de quinta-feira, um grupo de ativistas escalou os portões do Parlamento e, empoleirados nos degraus do lado de fora do prédio, desenrolou uma faixa que dizia “Senadores, não caguem na água!”
Algumas outras pessoas permaneceram sentadas, imóveis, em assentos sanitários de plástico, de acordo com imagens transmitidas pelo Greenpeace no X.
Após a breve ação, que durou alguns minutos, dez pessoas foram presas, disse aos jornalistas a senadora, chefe do grupo pró-Milei no Senado, e a ex-ministra da Segurança, Patricia Bullrich.
“Ativistas do Greenpeace foram presos por exigirem pacificamente que a Lei das Geleiras não fosse alterada”, comentou o Greenpeace Argentina sem mais detalhes sobre sua conta X.
Um cinegrafista de um canal de televisão também foi preso, durante uma briga com a polícia quando os ativistas foram presos.
Foi aberta uma investigação administrativa para determinar se esta prisão foi “desproporcional” e se “a conduta da polícia não foi a que deveria adotar”, disse a Sra.
O Senado deverá iniciar quinta-feira o debate sobre o projecto da chamada “Lei dos Glaciares”, que consiste numa modificação, no sentido de flexibilização, da lei existente que rege e delimita a actividade mineira nas zonas periglaciares.
A lei daria, nomeadamente, maior latitude às províncias – sendo a Argentina um estado federal -, daí o apoio dos governadores das províncias andinas com forte potencial mineiro.
O presidente ultraliberal desde 2023, Javier Milei, está determinado a aumentar a capacidade da Argentina no sector mineiro (cobre, lítio, prata em particular). De acordo com estimativas da indústria, o país poderá potencialmente triplicar as suas exportações até 2030.
O debate no Senado nesta quinta é apenas um primeiro passo, o projeto deverá posteriormente ser debatido na Câmara dos Deputados, em data ainda não definida.