
Desde a pandemia de Covid-19, os franceses têm viajado relativamente menos diariamente, graças ao teletrabalho e às compras online em particular, uma queda de quase 10% na mobilidade, segundo um estudo publicado pela organização Cerema.
Reunindo inquéritos de mobilidade realizados desde 2021 em dez áreas urbanas, incluindo Caen, Bordéus e Saint-Etienne – mas não a área metropolitana de Paris – o Centro de Estudos e Especialização em Riscos, Ambiente, Mobilidade e Desenvolvimento (Cerema), destaca tendências. Uma síntese que não transmite dados de áreas rurais distantes das cidades.
Este órgão governamental conclui que “houve uma queda de quase 10% na mobilidade diária por residente, em número e quilómetros, nas áreas urbanas desde o início da década de 2010”.
Esta redução, continua Cerema, é “nova e observada qualquer que seja a tipologia do território: do centro da cidade de áreas urbanas densas aos territórios rurais de áreas urbanas”.
São as pessoas em idade ativa, entre 25 e 65 anos, as responsáveis: “9% delas não saem de casa durante a semana, contra 7% há 10 anos”, explica Cerema. Além disso, o número de viagens caiu de 4,7 para 4,3 por dia, uma queda de quase 10%.
Por outro lado, quem tem 75 ou mais anos é mais activo: “30% não saem de casa num dia de semana face a 35% há dez anos, e quem sai de casa ainda faz em média 3,4 viagens por dia”.
A culpa é do teletrabalho? Não só isso, responde Cerema, que sublinha um “efeito medido na mobilidade diária” desta nova prática pós-pandemia.
“Nem todos teletrabalham”, lembra o organismo, especificando que nos territórios estudados, “apenas 6% dos trabalhadores teletrabalham num dia de semana, proporção que chega aos 13% entre os executivos”.
Ainda que esta quebra da mobilidade seja “impulsionada principalmente” por uma quebra de cerca de -15% nas deslocações diárias para o trabalho por pessoa, outros fatores acrescentam-se. Os franceses estão a ficar mais em casa, aproveitando as compras online e as entregas ao domicílio, quando as deslocações por motivos de saúde e procedimentos de apoio diminuíram.
Por outro lado, as caminhadas e a bicicleta estão a aumentar em percursos inferiores a 10 km (44%, +9 pontos) nos grandes centros urbanos. Por outro lado, mais de 80% das viagens diárias longas ainda são feitas de carro.