A depressão Leonardo atingiu na quarta-feira a Península Ibérica, provocando a evacuação de milhares de pessoas, a paralisação do tráfego ferroviário e rodoviário e o encerramento de escolas na Andaluzia, no sul de Espanha, onde localmente são esperadas até 35 cm de precipitação em 24 horas.
Nesta fase, não foram registados mortos ou danos materiais “significativos” na região, onde foi emitido um alerta vermelho pela agência meteorológica espanhola (Aemet), apesar dos “incidentes graves” perto das localidades de Cádiz e Ronda, informou à tarde o governo andaluz.
No vizinho Portugal, que mal recupera da tempestade Kristin, que deixou cinco mortos e cerca de 400 feridos na semana passada, a proteção civil registou deslizamentos de terras e quedas de árvores, novamente sem vítimas.
Durante uma conferência de imprensa, o chefe dos serviços de emergência do governo regional da Andaluzia, Antonio Sanz, considerou “a situação muito preocupante” e “complexa” em torno de Grazalema, uma pequena cidade com cerca de 2.200 habitantes localizada a 800 m de altitude, onde Aemet prevê até 35 centímetros de precipitação em 24 horas.
O primeiro tributo humano na Andaluzia foi de uma pessoa “múltipla traumatizada” no desabamento de uma casa, segundo Antonio Sanz, que falou de um dia “muito intenso” para os serviços de emergência, que já evacuaram “3.500 pessoas”.

Cerca de 40 estradas estão cortadas, acrescentou, e as escolas permanecem fechadas – com exceção das da província de Almeria, no extremo leste da região. A rede ferroviária foi quase totalmente “suspensa” pela Renfe, a operadora nacional.
O primeiro-ministro socialista, Pedro Sánchez, apelou à população para “extrema cautela”, evitando “viagens desnecessárias”.
– “A terra não absorve mais água” –
“Há muitos deslizamentos de terra, muitas estradas e caminhos estão cortados (…). Acumulam-se quantidades muito grandes de água, que a terra já não consegue absorver”, comentou na televisão espanhola, María Paz Fernández, presidente da Câmara da cidade de Ronda (mais de 30.000 habitantes), a cerca de trinta quilómetros de Grazalema.

O vereador mencionou a cifra de “300 pessoas isoladas”, privadas de energia elétrica.
Na manhã de quarta-feira, um porta-voz da agência meteorológica espanhola alertou para o risco de “prováveis inundações, inundações e deslizamentos de terra” devido a esta precipitação “extraordinária”.
Apesar da expectativa das autoridades desde o início da semana, é “o pior cenário previsto” que se desenrola, estimaram no final da manhã os serviços de emergência, apoiados no local nomeadamente por militares da Unidade Especial de Socorro do Exército (UME).
Espanha continua profundamente marcada pelas cheias catastróficas de Outubro de 2024, que deixaram mais de 230 mortos, principalmente na região de Valência (leste).
– Rio fora do seu leito –
O vizinho Portugal, atingido nas últimas semanas por várias tempestades sucessivas, também enfrenta a depressão Leonardo, cujos efeitos deverão sentir-se até sábado, segundo o Instituto Nacional do Mar e da Atmosfera (IPMA), que prevê precipitação “forte”, mas também nomeadamente “neve, ventos fortes”.

Todo o litoral está em alerta laranja, além de algumas regiões do Norte e Centro.
A proteção civil, que mobilizou mais de 11 mil pessoas, reportou à AFP inundações, quedas de árvores e deslizamentos de terras a meio do dia em várias regiões. Cerca de 200 pessoas tiveram de ser evacuadas no centro do país.
Em Alcácer do Sal, quase cem quilómetros a sul de Lisboa, o rio Sado transbordou e a rua principal do centro da cidade foi inundada e o nível da água continuou a subir ao início da tarde, notaram jornalistas da AFP no local.
Segundo a Agência Meteorológica Portuguesa, o pico de chuva e vento está previsto no país durante a noite de quarta para quinta-feira.
Portugal realiza a segunda volta das eleições presidenciais no domingo, enquanto 90 mil casas e empresas continuam sem energia desde a passagem devastadora da tempestade Kristin na semana passada.
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