Ao descobrir um novo carneiro estripado, provavelmente por um lobo que viu de madrugada, Bryan Beguinot desiste: uma matilha instalada há vários meses em Haute-Marne está semeando angústia entre os criadores, que tentam se proteger do aumento dos ataques.

Marcas de dentes, hematomas, “corresponde ao lobo, (…) não há dúvida”, nota o inspetor do Gabinete Francês de Biodiversidade (OFB) que se deslocou a uma das pastagens do criador, em Chaumont-la-Ville.

Membros do Escritório Francês de Biodiversidade (OFB) coletam amostras após um ataque atribuído a lobos em uma fazenda de ovelhas em Chaumont-la-Ville, no nordeste da França, em 23 de janeiro de 2026 (AFP - Benjamin BOULY RAMES)
Membros do Escritório Francês de Biodiversidade (OFB) coletam amostras após um ataque atribuído a lobos em uma fazenda de ovelhas em Chaumont-la-Ville, no nordeste da França, em 23 de janeiro de 2026 (AFP – Benjamin BOULY RAMES)

Desta vez, o lobo conseguiu cavar e passar por baixo da cerca. “Está se tornando insuportável”, lamenta Bryan Beguinot, tão exausto que está pensando em parar a criação de ovelhas. “Fizemos todo o necessário para impedir a passagem do lobo, mas ele conseguiu.”

Nas planícies verdes de Haute-Marne, o lobo matou mais de 800 animais em 2025, em comparação com 60 em 2024.

Um aumento acentuado, nomeadamente devido ao nascimento de sete crias no passado mês de maio, constituindo uma matilha, com o macho e a fêmea, explica Vincent Montibert, chefe do OFB Haute-Marne.

Se o departamento sempre foi “atravessado pelo lobo”, com ataques pontuais, “ali se instalou”, nota.

– Um assunto inflamável –

Dos Alpes Marítimos ao Finistère, os territórios frequentados pelo lobo estão em constante expansão, passando de menos de 10 departamentos para mais de 60 em dez anos.

O número de lobos em França duplicou numa década, mas manteve-se estável nos últimos três anos, em cerca de mil indivíduos em 2025, segundo números oficiais que os criadores consideram subestimados.

Se o número de animais mortos se estabilizou em cerca de 10.000 por ano nos últimos anos, voltou a aumentar com 12.000 vítimas segundo os primeiros números de 2025, explica o prefeito responsável pelos lobos nacionais, Jean-Paul Celet.

Os surtos de ataques são um assunto delicado num contexto de raiva agrícola.

Um decreto ministerial para lidar com isso está em discussão desde dezembro, e a “lei de emergência agrícola”, em preparação após as mobilizações dos agricultores neste inverno, deve fortalecer notavelmente o manejo dos lobos.

Membros do Escritório Francês de Biodiversidade (OFB) coletam amostras após um ataque atribuído a lobos em uma fazenda de ovelhas em Chaumont-la-Ville, no nordeste da França, em 23 de janeiro de 2026 (AFP - Benjamin BOULY RAMES)
Membros do Escritório Francês de Biodiversidade (OFB) coletam amostras após um ataque atribuído a lobos em uma fazenda de ovelhas em Chaumont-la-Ville, no nordeste da França, em 23 de janeiro de 2026 (AFP – Benjamin BOULY RAMES)

A Ministra da Agricultura, Annie Genevard, já anunciou no início de Janeiro que mais 22 lobos poderiam ser mortos e que as condições para atirar contra um lobo seriam simplificadas.

“Não cabe a nós, criadores, passarmos noites inteiras tentando matar lobos. Nosso trabalho não é caçador de lobos”, argumenta Pierre-Edouard Brutel, que sofreu sete ataques em 2025.

Em Haute-Marne, agentes da brigada de lobos vieram durante três semanas, assim como tenentes da louveterie, mas nenhum tiroteio foi realizado, por falta de contato com o lobo.

– Câmera e cão de proteção –

Após quatro ataques, Laurent Babelon, criador de Sarrey, adquiriu um cão de proteção e uma câmera que o acorda à noite em caso de movimento.

Com esses cuidados, obteve autorização para tiro defensivo, como cerca de dez outros criadores, mas foi o único que disparou.

“De repente, fui acordado pela minha câmera às 5 da manhã e fugi com meu rifle e minha lanterna”, diz ele. Mas impossível fazer mais do que um tiro para o alto para espantar o lobo.

Todas as noites, ele passa uma hora estacionando seus animais e fazendo rondas, verificando a voltagem de suas cercas.

“Devíamos ter cumprido os padrões mais cedo”, admite ele. “No começo não acreditávamos. Sempre achamos que isso só acontece com outras pessoas.”

A falta de preparação dos criadores no início de 2025 “provocou muitos ataques, mas desde que começaram a colocar cercas, os resultados diminuíram nas parcelas protegidas”, confirma Montibert.

Um coletivo de associações de defesa ambiental oferece ajuda voluntária para instalar cercas e fornecer segurança.

“O sofrimento psicológico é real. É por isso que precisamos ajudá-los a encontrar soluções”, explica Samuel Courtaut, presidente do coletivo.

Mas alguns criadores recusam esta ajuda.

Para Bryan Beguinot, “os voluntários, são todos a favor do lobo, não quero nenhum deles na minha casa”. “Se eu vir o lobo e estiver com meu rifle, com certeza vou agir”, mesmo sem autorização de tiro, afirma, após o novo ataque ao seu rebanho.

O lobo desempenha um papel importante, por exemplo na limitação do número de javalis ou veados, defendem associações ambientalistas.

Para Samuel Courtaut, matar um lobo “não é a solução”. “As predações sempre estarão lá e isso desorganizará completamente a matilha, pode ser pior do que qualquer coisa.”

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