O forte caráter simbólico da “conferência dos partidos” que acontece em Belém de 10 a 21 de novembro de 2025 não escapou a André Aranha Correa do Lago. Quem vai presidir esta COP30 representa o Brasil nas negociações sobre mudanças climáticas desde quase a adoção das convenções da ONU sobre clima, biodiversidade e desertificação em 1992, no Rio de Janeiro, já no Brasil. Desde a primeira COP sobre o clima em Bona, em 1995, esta é a trigésima vez que o mundo se reúne para encontrar soluções para as emissões de gases com efeito de estufa. É também o décimo aniversário do Acordo de Paris, que molda as discussões internacionais desde 2015. Por fim, esta COP acontece às portas da Amazônia, o principal absorvedor de CO2 emitidos em excesso pelas atividades humanas, mas esgotados pelo desmatamento, secas recorrentes e incêndios.

Esta COP30 marca um verdadeiro ponto de viragem. “Em dez anos, todos os artigos do Acordo de Paris encontraram tradução jurídica, de modo que a comunidade internacional tem agora um quadro regulamentar adoptado por todos para agir.” lembra Paul Watkinson, ex-chefe da delegação francesa nas COPs anteriores. O trabalho dos negociadores é notável neste aspecto. Em menos de dez anos, encontraram pontos comuns para construir uma “caixa de ferramentas” sobre os métodos de medição dos esforços para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa de cada Estado, as regras de transparência na recolha dos resultados da sua “contribuição nacionalmente determinada” (NDC) integrando todos os sectores económicos e a sua transmissão ao secretariado da convenção climática da ONU. Foi decidido um calendário para a implementação de ações de mitigação de emissões com uma avaliação global a cada cinco anos. O quadro para um mercado global de carbono que tem em conta os esforços para combater a desflorestação e a reflorestação está em vigor. O acordo de Paris está em pleno funcionamento.

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