Em seu pequeno apartamento escassamente mobiliado com objetos recuperados díspares, Nadia, 45 anos, pilhas de cartas na prefeitura de Val-de-Marne diante dela, faz um doloroso balanço dos últimos anos. “Sempre segui o meu caminho, foi o Estado que me fez descarrilar”ela resume. Sua jornada é simbólica daquelas compiladas pela Anistia Internacional em relatório publicado quarta-feira, 5 de novembro. Demonstra como a brevidade das autorizações de residência, mas também a montanha de dificuldades para renová-las na prefeitura, “cria precariedade” trabalhadores estrangeiros legais, inclusive em ocupações escassas.
Detentora, desde 2015, de um diploma de auxiliar de cuidados – setor que enfrenta uma grave escassez de mão-de-obra – e mãe de uma filha de 11 anos que cria sozinha, Nádia (todos os nomes foram alterados a pedido dos interessados) trabalhou durante muito tempo num centro municipal de ação social. Marfinense, ela teve várias autorizações de residência durante um ano, depois dois, depois três. Em 2020, como todos os trabalhadores “essenciais”, ela permaneceu no seu trabalho durante os confinamentos.
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