
O Parlamento Europeu adotou na quarta-feira um texto que insta Bruxelas a facilitar o acesso a abortos “seguros” para todas as mulheres do continente.
O acesso à interrupção voluntária da gravidez difere significativamente de um país europeu para outro: é protegido pela Constituição em França, mas muito restrito noutros Estados.
Este é particularmente o caso de Malta, onde algumas mulheres “estão em total desordem”, alertou a eurodeputada ambientalista Mélissa Camara à AFP.
Na Polónia, um país de 38 milhões de habitantes que tem uma das leis mais rigorosas nesta área, apenas foram realizados 896 abortos em 2024, segundo dados oficiais.
O texto adotado na quarta-feira faz eco de uma petição que recolheu mais de um milhão de assinaturas de cidadãos europeus, espalhadas por vários Estados-membros.
Ele apela à Comissão para “criar um mecanismo” que permita que “qualquer pessoa residente na União que ainda não tenha acesso ao aborto seguro e legal” viaje com custos mais baixos para outro dos 27 países membros que autoriza este cuidado.
O mecanismo seria financiado por Bruxelas e pelos Estados-Membros numa base voluntária.
Esta iniciativa foi apoiada principalmente por eurodeputados de grupos de esquerda e de centro.
A extrema-direita e alguns deputados de direita rejeitaram o texto, acreditando que não cabia a Bruxelas agir sobre estas questões.
“Não deveríamos envolver a UE em questões relacionadas com a competência dos Estados-membros”, disse o eurodeputado François-Xavier Bellamy à AFP.
A Comissão Europeia comprometeu-se a examinar esta petição antes de março de 2026, apresentada pelo grupo “A minha voz, a minha escolha”.
No entanto, nada a obriga a transformar esta iniciativa num acto jurídico europeu.