
A desnutrição de mulheres grávidas ou lactantes em Gaza tem “efeitos devastadores em milhares de recém-nascidos”, alertou esta terça-feira a UNICEF, notando um aumento preocupante no número de nascimentos de bebés com baixo peso no território.
Em Gaza “a observação é clara: mães desnutridas dão à luz bebés prematuros ou com baixo peso, que morrem em unidades de cuidados intensivos neonatais (…) ou sobrevivem, apenas para sofrer de desnutrição ou complicações médicas”, declarou de Gaza uma porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Tess Ingram, durante uma conferência de imprensa em Genebra.
Em 2022, antes do início da ofensiva israelita na sequência do ataque do Hamas em 7 de Outubro de 2023, nasciam em Gaza 250 bebés por mês, ou 5% dos recém-nascidos, com baixo peso, ou seja, menos de 2,5 quilogramas, segundo o Ministério da Saúde local.
No primeiro semestre de 2025, apesar da queda nos nascimentos, o número de bebés com baixo peso aumentou para 10%, ou cerca de 300 bebés por mês, sublinha a Unicef.
O baixo peso à nascença deve-se geralmente à má nutrição materna, ao aumento do stress materno e à insuficiência de cuidados pré-natais. “Em Gaza, estamos a assistir a todos estes três factores e a resposta é demasiado lenta e insuficiente”, disse Ingram.
Entre julho e setembro deste ano, cerca de 38% das grávidas examinadas pela Unicef e seus parceiros foram diagnosticadas com desnutrição aguda.
“Em Outubro, internamos 8.300 mulheres grávidas e lactantes para tratamento contra a desnutrição aguda – ou cerca de 270 por dia – numa região onde não foram observados casos de desnutrição neste grupo antes de Outubro de 2023”, continua o porta-voz, lembrando que muitas vezes as mães sacrificam as suas refeições para alimentar os seus filhos.
“Nos hospitais de Gaza, encontrei vários recém-nascidos com peso inferior a um quilograma, com os seus pequenos peitos a arfar devido ao esforço para sobreviver”, relatou ainda, especificando que os bebés com baixo peso, que requerem cuidados especiais, têm “cerca de 20 vezes mais probabilidade” de morrer do que outros.
Segundo a Unicef, o número de bebés que morrem no primeiro dia de vida aumentou 75% em Gaza, passando de uma média de 27 bebés por mês em 2022 para 47 bebés por mês entre Julho e Setembro de 2025.
Ingram lamentou na terça-feira as “obstruções impostas pelas autoridades israelitas que impediram a entrega de certos produtos médicos essenciais na Faixa de Gaza” e apelou em particular à abertura do ponto de passagem de Rafah à circulação de camiões humanitários.