O navio oceanográfico The Why not? do Ifremer deve deixar Brest na sexta-feira para inventariar, com cerca de quarenta cientistas e dois submarinos, os locais hidrotermais no fundo do mar do Oceano Atlântico.

Realizada no âmbito de um contrato emitido pela Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (AIFM), esta campanha visa identificar, na dorsal atlântica, campos de fontes hidrotermais, este tipo de gêiseres subaquáticos por onde escapa água aquecida pelo magma e carregada de compostos químicos.

Essas chaminés liberam sulfetos polimetálicos, cobiçados por mineradoras da indústria digital, de baterias elétricas ou aeroespacial.

“Esta é a terceira campanha de exploração no âmbito do contrato que o Ifremer está a realizar em nome de França. Trata-se de continuar a exploração da área para detectar novos campos hidrotermais activos e ver se também existem campos inactivos”, explicou à AFP Sébastien Yber, gestor do projecto de Recursos Minerais Marinhos Profundo do Ifremer.

Para as suas explorações, os cientistas poderão contar com o submarino autónomo Ulyx, que realiza mapas precisos do fundo do mar, e com o submarino científico Nautile, que pode descer até 6.000 metros com três pessoas a bordo.

Encomendado em 1984, este submersível amarelo de oito metros de comprimento permite que biólogos e geólogos observem e intervenham diretamente nas profundezas do mar.

“Em torno destes locais existe uma fauna luxuriante”, nomeadamente camarões, mexilhões, e “muitas comunidades microbianas”, explicou à AFP Cécile Cathalot, biogeoquímica e chefe da missão.

Técnicos preparam o robô subaquático Ulyx a bordo do navio científico L'Atalante, atracado no porto de Brest, 15 de junho de 2025 (AFP/Arquivos - Sebastien Salom-Gomis)
Técnicos preparam o robô subaquático Ulyx a bordo do navio científico L’Atalante, atracado no porto de Brest, 15 de junho de 2025 (AFP/Arquivos – Sebastien Salom-Gomis)

“Só ser capaz de identificar onde estão todos estes locais no oceano global já é um feito por si só. Fizemos estimativas que datam de cerca de vinte anos com base em pistas que tínhamos na altura. Percebemos que estes locais são muito mais frequentes do que pensávamos”, acrescentou.

Como parte do contrato de exploração, o Ifremer deve estabelecer o estado do recurso e aprofundar o conhecimento do meio ambiente.

Mas “hoje não declaramos recursos porque, para que haja um recurso no sentido mineiro, deve haver uma perspectiva” de exploração, indicou Yber.

No entanto, “sabemos que haveria impactos se explorássemos e há demasiadas incógnitas sobre a sua escala (…) para podermos dizer que podemos explorar sem impactar seriamente o ambiente”, acrescentou.

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