Tem alguma dúvida sobre um alimento cujo prazo de validade já passou um pouco? Você deve comê-lo ou jogá-lo fora? Você descobrirá ouvindo este novo episódio de Ciência ou Ficção. ©Futura

Em abril de 2024, um estudo publicado na revista Ecologia e Evolução colocar luz uma descoberta surpreendente: latas de salmão vencidas há décadas revelaram-se verdadeiros tesouros para a ciência. Estas reservas, inicialmente destinadas ao controlo de qualidade, tornaram-se uma ferramenta valiosa para estudar a evolução dos ecossistemas marinhos do Alasca durante um período de 42 anos. Esta descoberta fortuita abre novas perspectivas sobre a utilização de recursos inesperados para a investigação ecológica.

Parasitas como indicadores de saúde ecológica

Pesquisadores da Universidade de Washington, liderados por Natalie Mastick e Chelsea Wood, fizeram uma descoberta surpreendente ao examinar essas latas. Eles encontraram anisakídeos, vermes parasitas marinhos com cerca de um centímetro de comprimento, preservados em salmão enlatado. Ao contrário da crença popular, a presença destes parasitas não é necessariamente um sinal negativo.

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Na verdade, de acordo com Chelsea Wood, “ a presença de anisakids é um sinal que o peixe no seu prato vem de um ecossistema saudável “. Esses parasitas desempenham um papel crucial na cadeia alimentar marinha:

  • eles são ingeridos primeiro pelo krill;
  • então transmitido para espécies maior como o salmão;
  • finalmente, eles completam seu ciclo de vida no intestino de mamíferos marinheiros.

Este estudo destaca a importância dos parasitas como bioindicadores da saúde dos ecossistemas marinhos. A sua presença e abundância podem revelar informações valiosas sobre o estado e a evolução das populações de peixes e mamíferos marinhos.


Abrir latas de salmão vencidas desde a década de 1970 pode trazer algumas surpresas fascinantes. © Stockphotoman, Adobe Stock

Um arquivo ecológico inesperado

O estudo analisou 178 latas contendo quatro espécies diferentes de salmão, capturadas no Golfo do Alasca e na Baía de Bristol entre 1979 e 2021. Esta coleção única permitiu aos investigadores criar um arquivo ecológico que abrange mais de quatro décadas.

Aqui está uma visão geral das espécies estudadas e do número de caixas analisadas:

Espécies de salmão

Número de caixas

Amigo (Oncorhynchus keta)

42

Coho (Oncorhynchus kisutch)

22

Rosa (Oncorhynchus gorbuscha)

62

Sockeye (Oncorhynchus nerka)

52

Embora o processo de enlatamento tenha degradado os parasitas, os pesquisadores conseguiram calcular o número de vermes por grama de salmão. Este método inovador permitiu traçar a evolução das populações de parasitas ao longo do tempo, proporcionando uma visão única sobre oecologia Marinha do Alasca.

Resultados intrigantes e perspectivas promissoras

A análise dos dados revelou algumas tendências fascinantes. Os pesquisadores descobriram um aumento no número de parasitas no salmão amigo e rosa ao longo do tempo. De acordo com Natalie Masstick, “ este aumento pode indicar um ecossistema estável ou em recuperação, com hospedeiros adequados suficientes para anisakids “.

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Em contraste, os níveis de parasitas permaneceram estáveis ​​no salmão prateado e vermelho. Esta diferença levanta questões interessantes sobre a dinâmica ecológica em jogo. Os pesquisadores levantam a hipótese de que diferentes espécies de anisakídeos poderiam ter preferências por certas espécies de salmão.

Este estudo abre caminho para novas abordagens em ecologia marinha. A utilização de conservas vencidas como arquivos ecológicos poderia permitir:

  1. traçar a evolução dos ecossistemas marinhos durante longos períodos;
  2. estudar o impacto mudanças climáticas nas populações marinhas;
  3. compreender melhor as complexas interações entre parasitas, peixes e mamíferos marinhos.

Esta descoberta inesperada mostra que a ciência pode por vezes encontrar tesouros de informação nos locais mais improváveis. Latas esquecidas no fundo de uma armário transformado em um janela relato fascinante da história natural do Alasca, lembrando-nos da importância de preservar e estudar todos os aspectos do nosso meio ambiente, mesmo os mais inesperados.

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