A OPINIÃO DO “MUNDO” – A NÃO PERDER
O casamento é importante: a instituição foi, na época do classicismo hollywoodiano, o que deu forma e substância à ficção. A união conjugal garantiu o encerramento formal e moral das histórias: o que mais se poderia imaginar, na época, como história e final feliz entre um homem e uma mulher? A censura do Código Hays (estabelecido em 1930 pelo senador republicano William Hays que estabelece regras para o conteúdo dos filmes) obviamente teve algo a ver com isso, porque a ordem social estava em jogo: fora do casamento não há salvação. Tinha que ser valorizado; o adultério é mostrado como um impasse infeliz, se não imoral.
Foi só no final da década de 1960 que o equilíbrio mudou lentamente à medida que a censura foi relaxada. Kramer x Kramer (Robert Benton, 1979) marcou uma data ao formalizar um novo paradigma: o divórcio torna-se finalmente um final feliz, libertando ambas as partes – especialmente a mulher.
Por que contar tudo isso? Porque o novo filme de Bradley Cooper é uma comédia sobre um novo casamento num mundo onde o divórcio não é mais um assunto. Mas embora tenha se difundido e, portanto, sido menosprezado, este ideal de união para a vida ainda está presente na mente das pessoas. Um ideal que parece persistir em Bradley Cooper: é o tema de todos os seus filmes. O casal: como se mantém unido e como não se sustenta, tal é o tema de sua terceira obra, Essa coisa está ligada? (“funciona?”), inspirado em uma história real: a do comediante britânico John Bishop, que se lançou ao stand-up após um doloroso divórcio.
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