Evgenia Dodina (Richard), em “Richard III”, dirigido por Itay Tiran, em Tel Aviv (Israel), em setembro de 2023.

Feio, coxo, corcunda, manipulador, sanguinário: Ricardo III, herói da peça homônima de William Shakespeare (1564-1616), não tem nada que agradar. E ainda assim ele seduz. Não só as suas presas que, sob a pena do autor elisabetano, cederam à sua força de persuasão ou dobraram os joelhos à sua brutalidade, mas também o público, dividido entre a repulsa e o fascínio. É neste paradoxo de uma recepção paralisada pela ambiguidade que escorrega a impressionante encenação do Israelita Itay Tiran. O seu espetáculo é apresentado em Sceaux, no Théâtre Les Gémeaux, que há três anos estabelece uma colaboração com o Théâtre Gesher, fundado em 1991 por um artista imigrante da Rússia e dirigido, em Tel Aviv, Israel, por Lena Kreindlin.

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As paredes são brancas, os figurinos pretos, a música inebriante, a decoração seca: nenhuma fantasia no horizonte. O planalto poderia ser um asilo encimado por leques que agitam o ar e seus miasmas. Richard entra, mancando, com um pé apoiado e o outro apoiado em um salto alto. Evgenia Dodina, uma atriz bielorrussa que vive em Israel desde a década de 1990, interpreta um monstro que não é nem homem nem mulher. O impulso assassino não tem gênero, é aqui arquetípico. Esta atriz de renome internacional é o pivô de um sistema formidável que toma nota, sem perspectiva de reparação, do caos desencadeado por Richard.

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