Há cerca de 110 milhões de anos, dois pequenos pterossauros, cada um do tamanho de uma gaivota, sobrevoaram um lago ou rio no que hoje é o nordeste do Brasil, no Território do Araripe. Eles provavelmente estavam procurando comida quando foram engolidos inteiros por um predador maior, provavelmente um grande dinossauro. Mais tarde, após ingerir pelo menos quatro peixes, o predador rejeitou o que não conseguiu digerir.

Um filtro onde menos esperávamos

Este vômito fossilizou. Milhões de anos depois, foi analisado por pesquisadores brasileiros. Isto permitiu a identificação de uma espécie totalmente inesperada, Bakiribu waridzao primeiro pterossauro filtrador já descrito em uma região tropical. Os resultados são publicados na revista Relatórios científicos. Os pterossauros que se alimentam de filtros são reconhecíveis pelos seus dentes finos, apertados como os de um pente. Este dispositivo permitiu-lhes reter pequenos organismos aquáticos, nomeadamente crustáceos. Até agora, este tipo de pterossauro só era conhecido na Europa, particularmente na Alemanha com Balaenognathus maeuserino Leste Asiático e no sul da América do Sul.

Nós realmente não esperávamos isso“, resume Rubi Vargas Pêgas, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo. “A bacia do Araripe é estudada há décadas. Quase trinta tipos de pterossauros foram descritos lá, nenhum dos quais era filtrador. Descobrir não só uma nova espécie, mas também um grupo até então ausente da região, foi uma surpresa“.

pterossauro

Vista dos dois blocos fósseis com pterossauros e peixes. Abaixo, esboços de suas orientações. Crédito: Relatórios científicos.

Quem comeu o pterossauro?

O estudo do vômito mostra que os ossos dos pterossauros foram atacados pelo suco gástrico, enquanto os quatro peixes estão notavelmente bem preservados: sem dúvida foram engolidos pouco antes da rejeição. Por quem?

O principal suspeito é um grande terópode comedor de peixes, Desafiador irritador. Este espinossaurídeo é um dos raros predadores conhecidos na região, capaz de engolir peixes e pequenos pterossauros. Os espinossaurídeos são uma das raras famílias de dinossauros que demonstram apetite por ambientes aquáticos. Uma possibilidade é considerada, mas é menos provável, é a de Tropeognathus mesembrinusum pterossauro gigante com envergadura de quase oito metros, teoricamente capaz de engolir congêneres menores.

A rocha que contém esse vômito fossilizado vem do acervo do museu Câmara Cascudo, em Natal, fora da região do Araripe. É composto por duas contrapartes. Um deles foi transferido para o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri, no coração do território do Araripe. Assim, será estudado e preservado em seu território de origem, abordagem que faz parte da continuidade da repatriação do dinossauro Ubirajara jubatusretornou ao Brasil em 2023 após ser descrito com base em um fóssil retirado ilegalmente do país. As autoridades do país pretendem que as riquezas históricas e paleontológicas do seu solo sejam apresentadas o mais próximo possível do local da sua descoberta.

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