A luta contra bactérias resistentes aos medicamentos, que por vezes tornam fatais as infecções comuns, encontra agora uma nova esperança. Uma equipe de químicos de Universidade de Warwick E Monashdescobriu de facto um antibiótico promissor, a “lactona pré-metilenomicina C”, activo contra bactérias patogénicas muito resistentes. Este avanço chega num momento crítico: resistência antimicrobianos é um dos desafios de saúde mais prementes do mundo.

Porque é que a resistência aos antibióticos é um grande problema do século XXI?

Resistência antimicrobiana (BATER) significa que as bactérias, e por vezes outros microrganismos, evoluíram para já não responderem aos tratamentos antibióticos padrão. Isto leva a infecções que são mais difíceis de tratar, mais prolongadas e às vezes fatais.

Segundo a OMS, em 2019, já ocorreram cerca de 1,27 milhões de mortes diretamente atribuíveis à RAM e 4,95 milhões a ela associadas. Além disso, um estudo publicado em A Lanceta prevê que entre 2025 e 2050, mais de 39 milhões de pessoas poderão morrer diretamente de RAM.

Resistência aos antibióticos explicada pelo Inserm. © Inserm

O segredo bem escondido de uma bactéria conhecida: um antibiótico 100 vezes mais poderoso

No estudo em questão, os pesquisadores analisaram um composto produzido pela bactéria modelo Streptomyces coelicolor, bem conhecido pelos químicos desde a década de 1950.

Ao deletar certos genes de biossíntese, eles foram capazes de revelar dois intermediários até então desconhecidos na via de produção do antigo antibiótico Metilenomicina A. Descobriu-se que um desses intermediários, a lactona pré-metilenomicina C, é mais de cem vezes mais ativo do que o antibiótico original contra Bactérias Gram-positivas.

A professora assistente Lona Alkhalaf explica: “ Notavelmente, a bactéria que produz a lactona metilenomicina A e pré-metilenomicina C – Streptomyces coelicolor – é uma espécies modelo de produção de antibióticos que tem sido estudado extensivamente desde a década de 1950. A descoberta de um novo antibiótico num organismo tão familiar foi uma verdadeira surpresa. »

Durante os testes, esta lactona mostrou-se muito ativa contra, em particular, Staphylococcus aureus (cuja forma resistente é o MRSA) E Enterococcus faecium (ERV), uma espécie de alta prioridade de acordo com oQUEM.

Nenhum sinal de resistência foi observado durante os testes in vitro contra o enterococos resistente à vancomicina, o que dá esperança para uma sustentabilidade interessante.

O professor Challis continua: “ Esta descoberta sugere um novo paradigma para a pesquisa de antibióticos. Ao identificar e testar intermediários nas vias de síntese de vários compostos naturais, poderemos descobrir novos e poderosos antibióticos… que nos ajudarão na luta contra a resistência antimicrobiana. »

Um estudo anterior, publicado em julho de 2025 em Jornal de Química Orgânicaapresentaram uma síntese em larga escala dessa lactona, abrindo caminho para ensaios pré-clínicos.

Uma descoberta que traz esperança contra a resistência antimicrobiana

O anúncio desta descoberta surge num contexto de grande urgência e escassez de novos antibióticos. Para ilustrar, uma equipe do Universidade de Liverpool publicou em setembro de 2025 o estudo sobre outro candidato promissor, o Novltex, uma nova classe de antibióticos sintéticos com poderosa atividade contra MRSA E Enterococcus faecium.

Esta investigação destaca que a corrida pelos “novos” antibióticos é mais relevante do que nunca. Os laboratórios procuram preencher a lacuna deixada pelo baixo número de moléculas no desenvolvimento, preocupação também destacada pela OMS.

Em conclusão, a descoberta desta lactona pré-metilenomicina C representa um sinal encorajador na batalha contra a RAM. Mostra que, ao revisitar as vias biossintéticas conhecidas, podemos encontrar moléculas poderosas esquecidas ou subexploradas. Se tudo correr bem, e após as fases pré-clínica e clínica, poderá ajudar a salvar vidas contra as “superbactérias”.

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