Com Anemone – The Roots of Lies, Ronan Day-Lewis explora os laços familiares num drama onde a natureza se torna a testemunha silenciosa dos conflitos. Co-escrita por Daniel Day-Lewis, esta joia poderá ser vista nos cinemas em 25 de março

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Uma história de família

Já se passaram 10 anos desde que Ray Stroker (Daniel Day-Lewis) se exilou no coração de uma floresta remota na Inglaterra, isolado do mundo e de sua família. Mas quando ela decide se reconectar, os traumas de todos ressurgem. Depois de uma década de silêncio, chegou a hora de Ray confrontar seus segredos.

Distribuição Condor

Co-escrito por Ronan Day-Lewis e seu pai, Daniel Day-Lewis – vencedor de três Oscars – Anêmona – As Raízes das Mentiras marca o grande retorno do ator às câmeras, oito anos após sua aposentadoria do cinema. Depois de aparecer diante das câmeras de Martin Scorsese, Paul Thomas Anderson e Steven Spielberg, o premiado ator por Meu Pé Esquerdo, Haverá Sangue e Lincoln ressurge em um projeto único: o longa-metragem de seu filho.

Esta ambição está ancorada numa reflexão conjunta entre pai e filho. O diretor e Daniel Day-Lewis descobriram assim um interesse comum nos laços íntimos, mas também conflitantes, que são forjados entre irmãos. Desta sensibilidade comum surge um trabalho que explora o estigma duradouro da violência e as complexas relações que unem pais, filhos e irmãos. Na verdade, Ronan Day-Lewis é há muito apaixonado pelas complexidades específicas das células fraternas: “Sendo eu próprio irmão, fiquei interessado na ideia de explorar tanto a sua versatilidade como a sua intimidade.ele especifica. Pode passar do amor à fúria em segundos. E eu entendi isso instintivamente”.

A partir dessa ideia, juntos imaginam a história de Ray Stoker, interpretado por Daniel Day-Lewis, um homem retirado voluntariamente do mundo. À sua frente, seu irmão Jem Stoker, interpretado pelo grande Sean Bean – O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel, Game of Thrones –, com quem rompeu todo contato e que reaparece misteriosamente após vinte anos de silêncio. Encarregado de uma missão enigmática nascida de uma crise familiar, Jem chega à cabana isolada do irmão, perdida no meio da floresta, e lá descobre um ser devorado por anos de silêncio e solidão.

Distribuição Condor

Não sabia se era o projeto certo para minha mudança para o longa-metragem, considerando o peso e o que estava em jogo. Meu pai não jogava há algum tempo e não pensava em voltar à profissão naquela época. No entanto, tínhamos a profunda convicção de que tínhamos que fazer este filme juntos. Eu teria me arrependido por toda a minha vida de ter perdido a oportunidade de fazer uma turnê com meu pai”, explica Ronan Day-Lewis.

Uma obra majestosa, levada pelo olhar de um pintor

Artista visual reconhecido, Ronan Day-Lewis traz a sensibilidade pictórica de seu olhar para Anêmona – As raízes das mentirascriando imagens marcantes e cativantes, onde cada foto parece composta como uma tela. Em particular, ele capta a beleza transcendente do interior do País de Gales, bem como a imensa e misteriosa praia onde os dois irmãos vão. Com efeito, o jovem realizador especifica que as memórias do interior irlandês da sua infância sempre o empurram para paisagens imbuídas de maravilha e de sublime, espaços abertos e carregados de uma gravidade silenciosa, emanando beleza e melancolia.

Distribuição Condor

Via a pintura e o cinema como duas artes distintas, mas com o tempo, as emoções e imagens que alimentavam a minha pintura começaram a influenciar a forma como pensava o cinema“, explica o cineasta. Aos poucos, as duas práticas se unem: o olhar do pintor irriga a encenação, certos planos e certos simbolismos do filme sendo diretamente inspirados em suas pinturas.”O filme é permeado pelo poder espiritual bruto da natureza, que exerce influência e testemunha um drama humano”, enfatiza.

A partir daí, as paisagens e a luz da obra parecem casar-se com os estados interiores das personagens, como se a própria natureza retratasse a memória dos conflitos e silêncios que as habitam.

Ronan Day-Lewis

Neste sentido, filmar este projeto parece ter sido, para o realizador, uma experiência próxima da pintura. Cada cena é construída como uma pintura em que os personagens, a luz e as emoções interagem no mesmo quadro. Mas onde a pintura permanece solitária, o cinema abre outro espaço, oferecendo um gesto coletivo partilhado. Como resume o realizador: “quando pinto, é uma experiência solitária. Enquanto o cinema nos permite criar um estranho mundo novo no qual todos mergulhamos.” Uma forma, talvez, de transformar a intimidade do olhar do artista numa experiência sensível partilhada com o espectador.

Com Anêmona – As Raízes das Mentiras, Ronan Day-Lewis nos oferece o prazer de encontrar o imenso Daniel Day-Lewis no cinema, num drama comovente que explora as fraturas familiares com grande inventividade. Nos vemos no dia 25 de março no cinema.

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