Uma tumba com mais de mil anos contendo restos humanos e objetos de ouro e cerâmica foi descoberta em uma região do Panamá escavada há duas décadas, anunciou nesta sexta-feira à AFP o pesquisador responsável pelo projeto.

A descoberta ocorreu em El Caño, no distrito de Natá, cerca de 200 quilómetros a sudoeste da capital Panamá, onde cientistas e arqueólogos já descobriram outros vestígios de culturas pré-hispânicas.

Os restos do esqueleto estão rodeados por objetos de ouro e cerâmica decorada com motivos tradicionais, o que indica que se tratava de pessoas de “alto status”, disse à AFP a arqueóloga Julia Mayo, especificando que o túmulo foi construído “entre 800 e 1000 dC”.

“O indivíduo com ouro é aquele que tinha o status social mais elevado do grupo”, acrescentou.

O corpo deste ocupante principal foi decorado com “duas pulseiras, dois peitorais e dois brincos, sendo a joia peitoral composta por representações de morcegos e crocodilos”, descreveu Mayo.

Esta foto fornecida pelo Ministério da Cultura do Panamá mostra o interior de uma tumba pré-hispânica com mais de 1.000 anos, descoberta no sítio arqueológico El Cano, Panamá, em 20 de fevereiro de 2026 (Panamá/AFP - Folheto)
Esta foto fornecida pelo Ministério da Cultura do Panamá mostra o interior de uma tumba pré-hispânica com mais de 1.000 anos, descoberta no sítio arqueológico El Cano, Panamá, em 20 de fevereiro de 2026 (Panamá/AFP – Folheto)

O sítio arqueológico de El Caño está ligado às sociedades que habitaram as províncias centrais do Panamá entre os séculos VIII e XI.

“Foi aqui que enterraram os seus mortos durante 200 anos”, disse o investigador.

Mayo disse que nove outros túmulos “semelhantes” ao anunciado na sexta-feira já foram escavados no local.

Esta descoberta é “de grande importância para a arqueologia panamenha e para o estudo das sociedades pré-hispânicas do istmo centro-americano”, sublinhou o Ministério da Cultura num comunicado de imprensa.

Segundo os especialistas, estas escavações demonstram que para estas sociedades a morte não representava um fim, mas uma transição para outra fase onde o estatuto social continuava a ser importante.

A descoberta fornecerá novas informações sobre organização social, poder político, redes de intercâmbio e até práticas rituais, acrescentou o ministério.

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