
Concebido como uma imersão, minuto a minuto, nos últimos momentos do famoso transatlântico, este programa em quatro partes, transmitido a partir das 20h50. na Arte no sábado, 4 de abril, meticulosamente escrito e produzido, impressiona pela precisão.
Outro documentário sobre o Titanic, pode-se dizer. Assunto muitas vezes explorado em diversos meios de comunicação, o naufrágio do transatlântico parece ser do conhecimento de todos. Mas a abordagem de Rebecca Fairbank e Helen Sage, criadoras desta minissérie documental, transmitida a partir das 20h50. na Arte no sábado, 4 de abril, pretende ser o mais exaustivo possível. Não Leonardo DiCaprio e Kate Winslett, romance e “Eu sou o rei do mundo” tendo como pano de fundo a música sinfônica, mas uma contagem regressiva dos acontecimentos que marcaram esse drama ocorrido na noite de 14 para 15 de abril de 1912. Trabalhando em inúmeras cartas e diários dos sobreviventes, bem como em entrevistas que deram nos anos seguintes, os dois designers e o diretor Hugh Ballantyne mergulham o espectador em um relato preciso, que permite uma melhor compreensão do desastre.
Trabalho meticuloso de reconstrução
Na tela, as reconstruções de momentos decisivos acompanham histórias de sobreviventes interpretados por atores, mas também perspectivas de historiadores e veteranos da Marinha Real que ajudam a contextualizar os acontecimentos. Os testemunhos de passageiros e tripulantes remetem-nos, quase minuto a minuto, a esta travessia. Descobrimos, por exemplo, para nosso espanto, como a tripulação estava inicialmente preocupada com a perda de correspondência, afogada num porão, enquanto o navio, supostamente inafundável, começava a receber água de todos os lados. Falhas de comunicação e algumas decisões erráticas tomadas pelo capitão também explicam por que tantos botes salva-vidas deixaram o navio meio vazio.
Testemunhos muito comoventes
A emoção presente no filme de James Cameron também está presente ao ouvir as declarações de tripulantes de recursos modestos, responsáveis por acompanhar passageiros ricos que, por vezes, desconhecem completamente a situação. Esta abordagem, ao mesmo tempo técnica e muito humana, é a força desta série documental completa que nos dá a impressão, durante quase quatro horas, de estarmos na vanguarda de um drama humano que assumiu proporções históricas.