O astronauta Thomas Pesquet e o físico Étienne Klein apelam, num livro publicado quarta-feira, para aproveitar o progresso científico com “otimismo fundamentado”, ao mesmo tempo que se preocupam com a “retirada” de parte da população em direção ao futuro.
“Praise for Surpassing” (Flammarion) é uma coleção de sete entrevistas entre os dois cientistas, entre as mais populares e orientadas para a mídia na França, sobre grandes projetos científicos, incluindo exploração espacial ou subaquática.
“Espero que este livro inspire uma certa energia, que me parece necessária porque hoje temos a impressão de viver num mundo cansado”, disse Étienne Klein à AFP.
No livro, Thomas Pesquet observa que “uma certa tentação do status quo, de uma retirada cautelosa, faz muito sucesso entre os nossos contemporâneos”.
Mas “continuo tenazmente optimista. Uma confiança fundamental, quase teimosa, na dinâmica de melhoria que a humanidade, apesar de tudo, continua a seguir”, acrescenta o homem que realizou duas missões a bordo da Estação Espacial Internacional.

Para isso, “exigimos uma história. Uma história que trace com firmeza o eixo do futuro e polarize os nossos desejos”, num contexto onde ninguém encara 2050 ou 2100 “de uma forma ferozmente atrativa”, recomenda Étienne Klein.
Enquanto o presidente norte-americano, Donald Trump, quer que a NASA regresse à Lua o mais rapidamente possível e vá a Marte, Thomas Pesquet indica que “pensaria duas vezes” se lhe fosse oferecida a viagem ao planeta vermelho.
Porque “são cerca de 300 dias no volume de um Fiat 500 só na ida (…) Não teria absolutamente nada para fazer (…) Uma espera interminável”, explica.
“A meu ver, estamos perto da definição perfeita de inferno existencial”, acrescenta Étienne Klein, que se surpreende com o facto de haver “uma infinidade de candidatos para ir a Marte”.
Por outro lado, Thomas Pesquet declara que é “sem hesitação um candidato à Lua”, uma viagem muito mais curta.
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