Os fãs da série conhecem o trabalho de Ryan Murphy. Hoje com 60 anos, a série existe desde o início dos anos 2000 e alcançou seu primeiro sucesso internacional com o incisivo Beliscar/Dobraronde Julian McMahon e Dylan Walsh tocavam bisturi com jalecos de cirurgiões plásticos e uma certa falta de moralidade. Este tema do custo financeiro e psicológico da beleza, já explorado com os costumes da época, é recolocado no centro da sua nova ficção e revisitado com A beleza, caminho de 2026, na era das redes sociais e da Internet, graças às quais os ditames nunca estiveram tão presentes nas casas das pessoas comuns. Com os três primeiros episódios já disponíveis no Disney+ desde quinta-feira, 22 de janeiro, a série já mostra uma reflexão horrível…

A beleza : uma reflexão chocante e horrível sobre nossa relação com a beleza

Cuidado, a introdução pode não ser adequada para os espectadores mais sensíveis. Descobrimos Bella Hadid em plena Fashion Week de Paris. No meio do show, a suada modelo é tomada por agressões repentinas e assassinas. Depois de uma louca perseguição de moto na capital parisiense e uma série final de assassinatos em um restaurante em busca desesperada de água, a top model é cercada pela polícia na rua… e explode. Literalmente. Fluxos de sangue e órgãos na montagem. Essas são as consequências de uma misteriosa infecção sexualmente transmissível que deixa lindos todos que a contraem. Um vírus que Cooper (Evan Peters) e Jordan (Rebecca Hall), dois agentes do FBI, irão investigar. Ao mesmo tempo, descobrimos que o vírus provém de um medicamento desenvolvido pela “The Corporation”, empresa liderada por Byron (Ashton Kutcher), ávido por rentabilizar o negócio, mas confrontado com a perda de controlo da transmissão do vírus.

O resultado é uma série com reflexão inteligente e ácida sobre a nossa relação com a beleza e os sacrifícios que a sociedade nos obriga a fazer para nos sentirmos desejáveis ​​aos seus olhos, notavelmente ilustrada através do personagem Jeremy (Jeremy Pope), preso na esfera incel (grupo masculinista conhecido como celibatários involuntários) das profundezas dos Estados Unidos cujos instintos o levarão à infecção. Com a declaração “Beleza é Dor” [la beauté c’est de la douleur, ndlr] Assaltada desde os primeiros minutos e com uma encenação horrível, por vezes beirando o insuportável graças ao know-how de Ryan Murphy e a um trabalho sonoro tão admirável quanto repulsivo, a série leva ao máximo a metáfora visual. É tão difícil olhar quanto desviar o olhar.

A beleza : Ryan Murphy impacta mentes, mas erra pelo lado do déjà vu

Se a série, como objeto visual isolado, se revelar bastante eficaz, com episódios editados para despertar a curiosidade sobre o que vem a seguir, quem conhece o showrunner corre o risco de ter a sensação de estar andando em círculos. Primeiramente porque Ryan Murphy encontra sua falha ocasional de explosão e multiplicação de tramas paralelas. Mas também porque, se a série é indiscutivelmente impactante e produzida com maestria visual, é impossível não vê-la como uma repetição de toda a sua obra. Se já citamos Beliscar/Dobrar pela sua dimensão cirúrgica, a sequência introdutória e todo o trabalho nos figurinos parecem saídos de sua série História de terror americana E Grotesco.

Mesma crítica ao trabalho de corpos hipersexualizados, muito semelhante à série antológica Monstro na Netflix (onde Evan Peters já desempenhou o papel principal na 1ª temporada dedicada a Jeffrey Dahmer). Para quem não conhece o trabalho de Ryan Murphy, A beleza poderia provar ser um verdadeiro tapa na cara em série para os padrões de gênero e terror. Para outros, você terá que lidar com uma sensação incômoda de reciclagem.

Fonte

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *