O escritor americano Ta-Nehisi Coates, em Atlanta, em 2023.

“The Message”, de Ta-Nehisi Coates, traduzido do inglês (Estados Unidos) por Karine Lalechère, Autre, 256 p., 21€, digital 15€.

O escritor James Baldwin (1924-1987) está presente em toda a obra do autor afro-americano Ta-Nehisi Coates (Uma raiva negra [Entre le monde et moi], A Grande LutaO julgamento contra a AméricaCaso contrário, 2016 [2024] e 2017). Tanto em sua prosa com sotaque lírico e sério, quando narra a condição negra nos Estados Unidos a partir de sua trajetória e da de seu pai, ex-Pantera Negra, quanto em sua obsessão em dissecar a mentira da narrativa nacional americana sobre o lugar fundamental da escravidão. A mensagemseu novo ensaio literário, não é exceção. Coates destaca uma frase de Baldwin sobre o efeito tangível dos nossos sonhos no mundo. Este é precisamente o tema que ele aborda aqui. Mas se a questão colocada for clara – como é que as histórias que contamos a nós próprios moldam a nossa visão do mundo e dos seus conflitos? –, a resposta que o autor dá, através dos exemplos e dos locais que escolhe, é tão estimulante quanto frustrante.

O texto abre com uma espécie de aula de jornalismo dada a estudantes da Howard University, em Washington, onde Coates era estudante. Ele então nos leva a Dakar, na Carolina do Sul, bem como a Israel e aos territórios palestinos ocupados, através de três histórias que combinam diário de bordo, relatório, ensaio histórico e introspecção. Seu método é a analogia: Coates tece ligações entre sua experiência, a dos afro-americanos, e os espaços que visita. O conjunto é articulado por rica e variada documentação literária, histórica e jurídica.

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