Os filmes eróticos “Emmanuelle”, de Just Jaeckin, e “Le Dernier Tango à Paris”, de Bernardo Bertolucci, em exibição num cinema, em Paris, 26 de junho de 1974.

“Endureça seu pênis… Perdoe esse lapso de língua. Endureça seu texto. » Entre as pérolas faladas no hemiciclo do Palais-Bourbon, a do deputado União dos Democratas pela República (UDR, à direita) Robert-André Vivien, pode reivindicar o pódio. Esta questão, lançada na sessão de 24 de outubro de 1975, tinha como alvo outro deputado da UDR, Jacques Marette. Deslize da língua ou piada? Há margem para dúvidas, dado o perfil do seu autor: um mesquinho gaullista, antigo combatente da resistência, amigo feito porco de certos deputados comunistas, habituado a frequentar o bar da Assembleia. Daí até pensar que queria divertir a galeria, só falta um passo.

O ” texto “ que bifurca a língua esta sexta-feira, no Outono de 1975, é uma alteração à lei financeira de 1976 que visa sobrecarregar a produção e a exploração de filmes pornográficos. Em suma, trata-se de penalizar fiscalmente o vício. Aos olhos de um bom número de parlamentares, há uma necessidade urgente de legislar: há vários meses que o país se vê confrontado com aquilo que o semanário Vida Católica se qualifica como “derramamento de óleo pornográfico” : uma onda de filmes para adultos oferecidos nos mesmos cinemas que comédias populares ou obras de animação para crianças.

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