Na última edição da revista trimestral Schnock, Michèle Mercier, inesquecível “Angélique, marquesa dos anjos”, é tema de um fascinante retrato, enriquecido com algumas flechas disparadas pela atriz contra seus ex-parceiros…
Apelidada de “a morena Brigitte Bardot”, Michèle Mercier é indissociável da heroína da saga cult dos anos 1960, inspirada nos romances históricos de Anne Golon: Angélique, Marquesa dos Anjos. Rejeitado por Brigitte Bardot e recusado a Catherine Deneuve e Mireille Darc, o papel da famosa Marquesa de Monteloup fará as delícias da atriz. “Eu amo essa Angelique, ela me fascina, sinto ela nas fibras do meu ser, melhor, eu sou Angelique, ela é meu retrato físico, moral, psicológico” dirá a atriz, vendo sua personagem como sua sósia.
Um duplo que também será o arquiteto de sua desgraça. De 1964 a 1967, sob a égide de Bernard Borderie e durante cinco folhetins de fantasia, aquele que encarnou ao lado de Robert Hossein um ideal de sensualidade e emancipação francesa, teve toda a dificuldade do mundo para se desvencilhar deste personagem, fechando-lhe mesmo, paradoxalmente, portas.
“Ele sempre pensou apenas em si mesmo, nunca retribuiu o favor”
Em sua nova edição, a revista trimestral Schnock dedica um longo retrato a esta atriz icónica, que muitas vezes se reduz, por facilidade, apenas a estes papéis, esquecendo que também teve uma carreira internacional bastante incrível. Um retrato tanto mais fascinante quanto se nutre particularmente das palavras da atriz, que não hesita em disparar algumas flechas salutares.
Como aquelas reservadas justamente a Robert Hossein, seu parceiro de tela na saga Angélique: “Robert Hossein foi um parceiro maravilhoso. Ainda fizemos sete filmes juntos, isso não é pouca coisa em uma carreira. Mas devo admitir que nunca aceitei ou entendi por que ele não me contatou quando trouxe Angélique de volta ao teatro. Ele sempre pensou apenas em si mesmo, nunca retribuiu o favor.”
Glória Filme
E como bônus um forte ataque a Jean Rochefort, que atuou na saga sob o disfarce de um personagem chamado François Desgrez. O ator não deixou uma lembrança duradoura para a atriz…
“O que deu nele para me tratar tão mal?
Se Rochefort admitiu não ter muito prazer em jogar a saga, ainda assim soltou este comentário: “Eu estava desesperado para interpretar Angélique, Marquise des Anges. Havia uma reunião de idiotas! Felizmente à noite, interpretei Pinter no teatro com Delphine Seyrig. Eu era um ator que passou, no mesmo dia, de Mercier para Seyrig. Tiremos o chapéu!” Não é muito elegante, para dizer o mínimo…
Todos os dias, o AlloCiné contém mais de 40 artigos que cobrem notícias de cinema e séries, entrevistas, recomendações de streaming, anedotas inusitadas e anedotas cinéfilas sobre seus filmes e séries favoritos. Assine o AlloCiné no Google Discoveré a garantia de explorar diariamente as riquezas de um site pensado por entusiastas para entusiastas.