
Cinco meses depois de a administração Trump ter anunciado com alarde que estava a autorizar um tratamento não comprovado para certas formas de autismo, a Agência de Medicamentos dos EUA (FDA) deu meia-volta na terça-feira.
A toma de ácido folínico (leucovorina em inglês) continua não autorizada para certas formas de autismo, um distúrbio complexo do neurodesenvolvimento de amplo espectro, ao contrário de um anúncio anterior da administração Trump.
Por outro lado, este tratamento, anteriormente autorizado para prevenir certos efeitos secundários da quimioterapia, pode agora beneficiar pessoas que sofrem de uma síndrome genética rara chamada deficiência de folato cerebral.
“Isto dá esperança a muitos pais de crianças autistas sobre a possibilidade de melhorar as suas vidas”, disse o presidente Donald Trump em Setembro, durante uma conferência de imprensa na Casa Branca, durante a qual pisoteou o consenso científico e multiplicou as afirmações polémicas sobre o tema do autismo.
A comunidade médica e científica americana condenou veementemente o questionamento do paracetamol e das vacinas e criticou esta autorização anunciada como demasiado prematura.
Embora alguns estudos realizados num número muito pequeno de pacientes tenham sugerido que tomar ácido folínico poderia ajudar a reduzir certas dificuldades de comunicação ou interação associadas ao autismo, este caminho ainda requer muita investigação.
A sua autorização nesta fase corria o risco de “criar falsas esperanças”, alertaram dezenas de especialistas em autismo numa carta conjunta.
Apesar do desejo de Donald Trump de ver este tratamento aprovado, a Agência Americana de Medicamentos recuou por falta de “dados suficientes”, admitiu um responsável da FDA à NBC News.
No entanto, algumas pessoas autistas podem tomar ácido folínico se sofrerem de deficiência de folato cerebral ou se o seu médico prescrever este tratamento fora das indicações aprovadas.