
A epidemia de Ébola, que matou pelo menos 34 pessoas desde o final de agosto no centro da República Democrática do Congo (RDC), foi erradicada, anunciaram oficialmente na segunda-feira as autoridades do país de mais de cem milhões de habitantes.
O vírus Ébola permanece frequentemente mortal, apesar das vacinas e tratamentos recentes. Esta febre hemorrágica causou 15.000 mortes em África nos últimos 50 anos. A epidemia mais mortal na RDC, que ocorreu entre 2018 e 2020, causou quase 2.300 mortes e 3.500 pacientes.
“A epidemia de Ebola terminou efetivamente” na RDC, disse à AFP o diretor do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Dr. Dieudonné Mwamba Kazadi.
Todos os indicadores “certificam que a cadeia de transmissão do vírus foi quebrada”, acrescentou o ministro da Saúde, Samuel-Roger Kamba, durante uma cerimónia oficial organizada em Kinshasa na presença de representantes da OMS e da agência de saúde da União Africana (África CDC).
A RDC já passou por dezasseis epidemias de Ébola desde que a doença foi identificada pela primeira vez em 1976, no Zaire, antigo nome do vasto país da África Central.
O último, que permaneceu confinado à província de Kasai (centro), baseou-se num primeiro caso notificado em 20 de Agosto numa mulher grávida de 34 anos internada num hospital. A epidemia foi oficialmente declarada pelas autoridades congolesas no início de Setembro.
A vacinação começou em meados de setembro. O Grupo Internacional de Coordenação do Fornecimento de Vacinas (IGC), que gere o stock global de vacinas contra vários vírus, incluindo o Ébola, aprovou o envio de 45.000 doses adicionais para a RDC, um dos países mais pobres do mundo.
As campanhas de vacinação são frequentemente um desafio neste país quatro vezes maior que a França, onde as vias de comunicação são limitadas e muitas vezes em más condições.
A epidemia eclodiu numa área marcada por “extremo isolamento, estradas intransitáveis, condições climáticas difíceis e acesso limitado a serviços essenciais”, explicou Emmanuel Lampaert, representante na RDC de Médicos Sem Fronteiras (MSF), uma das organizações que participaram nas operações de intervenção, durante a cerimónia.
A transmissão humana do vírus ocorre através de fluidos corporais, sendo os principais sintomas febre, vômito, sangramento e diarreia. As pessoas infectadas só se tornam contagiosas após o aparecimento dos sintomas, após um período de incubação de dois a 21 dias.