No folclore amazônico, o Curupira é um gênio da natureza. Meio criança, meio espírito selvagem, ele tem cabelos ruivos e pés invertidos. Astuto e travesso, ele engana os caçadores, pune os madeireiros e protege os animais da floresta. Seu nome, de origem Tupi-Guarani, significa literalmente “ o homem do corpo “.

Este mito atravessa séculos e fronteiras: o seu equivalente guianense, o Maskilili, partilha a mesma missão de zelar pela floresta e assustar os incautos. Como lembra o acadêmico Sandro Figueiredo Borges, essas lendas testemunham um hibridismo cultural entre Brasil e Guiana: “ mesmo com a diferença de linguagem, é o mesmo personagem, a mesma história: aquele que protege a floresta contra quem a viola. »

Da tradição oral aos livros infantis, o Curupira tornou-se um dos símbolos mais populares do Brasil, a encarnação do medo e do respeito pela natureza.


Símbolo da proteção da floresta amazônica, o Curupira foi escolhido como mascote da COP30 em Belém para encarnar o espírito da natureza e relembrar a necessidade de preservar o planeta diante da crise climática. © CB com ChatGPT

Um mascote de uma COP amazônica

Os 30e A Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP30), organizada de 10 a 21 de novembro de 2025 em Belém, no coração da Amazônia, Brasil, quer colocar a floresta tropical e seus povos amazônicos no centro das negociações climáticas. A escolha do Curupira, oficializada pelas autoridades brasileiras, destaca-se como um símbolo unificador: o de uma região onde natureza, cultura e espiritualidade são indissociáveis.

Mas por trás desta escolha poética há também uma mensagem política. Para a ministra do Meio Ambiente Marina Silva, esta COP intervém de uma “ contexto muito complexo »: guerras, tensões comerciais e perda de confiança dificultam a cooperação internacional. O Curupira surge então como uma metáfora para resistêncialembrando-nos que a floresta sabe se defender, às vezes de forma cruel, contra quem a destrói.

O mito junta-se assim à notícia. Segundo o escritor Rosuel Lima Pereira, “ O Curupira não é um logotipo dócil. Ele encarna a vingança dos vivos “.


A COP30, organizada em Belém em novembro de 2025, quer colocar a Amazônia no centro das negociações climáticas. © CURIOS, Adobe Stock.

Entre o mito e a consciência

Ao escolher o espírito da floresta como emblema, o Brasil vincula sua identidade cultural ao seu compromisso ecológico. O Curupira torna-se o mensageiro de uma Amazônia viva, onde as tradições orais, a criação literária e a emergência climática se encontram.

Sob os seus passos para trás, talvez seja, em última análise, a direção do mundo que ele nos convida a repensar.

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