A longevidade das fêmeas dos golfinhos no Golfo da Biscaia caiu sete anos entre 1997 e 2019, um declínio principalmente devido às “atividades humanas no mar”, que “ameaçam a sobrevivência” desta espécie protegida, alertaram cientistas na terça-feira.
Todos os invernos, “centenas, até mais de mil, golfinhos mortos” “aparecem na costa francesa”, recordaram terça-feira num comunicado de imprensa a Universidade de La Rochelle e o CNRS, ao qual está anexo o observatório Pelagis, que realizou um estudo sobre o tema publicado em outubro de 2025 na revista “Conservation Letters”.
Este fenómeno, observado desde a década de 1990, explodiu desde 2016 nesta zona que vai de Finistère ao País Basco, principalmente devido à captura acidental de golfinhos na pesca, segundo Pelagis, que coordena a Rede Nacional de Encalhe.
As “amostras biológicas” colhidas nos golfinhos encalhados “permitem determinar a idade dos animais no momento da sua morte”, refere o comunicado.
A partir de uma amostra de 759 animais, o estudo estabeleceu que “a longevidade média das fêmeas dos golfinhos no Golfo da Biscaia caiu de 24 para 17 anos em apenas duas décadas”.
Esta queda “ameaça diretamente a sobrevivência a longo prazo da espécie”, até porque as fêmeas, capazes de se reproduzir aos 7 anos, só dão à luz “uma cria a cada dois ou três anos”, sublinham ainda os investigadores.
O governo, pressionado pela Comissão Europeia e pelo Conselho de Estado, proibiu a pesca durante quatro semanas no inverno no Golfo da Biscaia em 2024, 2025 e 2026, para salvaguardar esta espécie protegida.
Este encerramento reduziu as capturas acidentais em 60% no inverno de 2024/2025, de acordo com Pelagis (1.900 golfinhos comuns mortos em comparação com 4.700 em média por inverno entre 2017 e 2023).

O CIEM, órgão internacional de referência científica, estima um máximo de 4.900 mortes por ano como o nível sustentável para a espécie.
O Ministério do Mar ainda não decidiu um novo encerramento no próximo ano, lembrando que esta medida “não foi uma solução a longo prazo”.
Esta medida é “eficaz a curto prazo mas dispendiosa a nível económico e social”, obrigando-nos a “avaliar opções alternativas”, avaliaram também no mês passado os membros do projecto Delmoges sobre capturas acidentais de golfinhos, liderado pelo Ifremer, a Universidade de La Rochelle e o CNRS, em parceria nomeadamente com a Comissão Nacional de Pescas.