Quatro astronautas são esperados na Terra na quinta-feira, depois de terem tido que deixar a Estação Espacial Internacional (ISS) mais cedo do que o previsto devido a um problema médico, um caso inédito na história do laboratório orbital.

Os americanos Mike Fincke e Zena Cardman, o russo Oleg Platonov e o japonês Kimiya Yui viajam a bordo de uma cápsula Dragon da empresa SpaceX de Elon Musk. Eles devem pousar na costa da Califórnia por volta das 08h40 GMT.

A agência espacial norte-americana anunciou na semana passada que os membros da missão Crew-11 seriam evacuados da ISS devido a um problema de saúde que afeta um astronauta.

Um “risco persistente” e uma “incerteza sobre o diagnóstico” motivaram a decisão de trazer a tripulação de volta mais cedo, explicou o médico-chefe da NASA, James Polk, ao mesmo tempo que enfatizou que não se tratava de uma evacuação de emergência.

Os funcionários da agência não comunicaram a natureza deste problema ou a identidade do astronauta em questão.

“O tripulante estava e permanece em condições estáveis”, garantiu Rob Navias, funcionário da NASA, pouco antes de a cápsula partir na quarta-feira da ISS, que opera a uma altitude de cerca de 400 km ao redor da Terra.

– “Decisão cuidadosamente considerada” –

“Estamos todos bem”, escreveu esta semana o piloto da missão, Mike Fincke, na rede social LinkedIn. “Esta é uma decisão cuidadosamente ponderada e visa permitir a realização de exames médicos adequados no terreno, onde todas as capacidades de diagnóstico estão disponíveis. É a decisão certa”, continuou.

Os quatro membros da missão Crew-11 juntaram-se à estação orbital em agosto. Eles deveriam permanecer lá até o próximo rodízio da tripulação, previsto para meados de fevereiro.

Esta missão, Crew-12, poderia, portanto, partir mais cedo do que o planejado, disse a NASA. A francesa Sophie Adenot deve participar e assim fazer o seu primeiro voo ao espaço, o primeiro de uma francesa desde Claudie Haigneré em 1996.

Por enquanto, a Estação Espacial Internacional continua ocupada por três pessoas – um americano e dois russos que chegaram em novembro a bordo de uma espaçonave Soyuz.

Habitada permanentemente desde 2000, a ISS é um modelo de cooperação internacional que reúne Europa, Japão, Estados Unidos e Rússia. Desde a guerra na Ucrânia, é também uma das últimas áreas de cooperação entre Moscovo e Washington.

Suas tripulações são treinadas para conduzir missões científicas, mas também para lidar com as possíveis complicações ligadas à vida no espaço.

A tripulação evacuada estava preparada para “lidar com situações médicas imprevistas”, lembrou um alto funcionário da NASA, Amit Kshatriya.

Durante a sua estadia de vários meses neste laboratório espacial, a tripulação teve de realizar diversas missões científicas que vão desde o estudo da divisão de células vegetais a células estaminais humanas e até à simulação de cenários de aterragem lunar, no âmbito do programa Artemis da NASA, que planeia o regresso de americanos à Lua.

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