DEm nosso mundo febril e hiperconectado, muitas vezes somos tentados a confundir força e poder. A vitória parece espontaneamente associada ao mais forte, àquele que realiza o maior número de bombardeamentos, àquele que semeia mais ruínas. É esquecer que a Rússia lutou com todas as suas forças contra a Ucrânia desde Fevereiro de 2022, que aumentou os seus ataques e infligiu ali a desolação, mas não conseguiu quebrar a resistência ucraniana.

É também esquecer até que ponto o Kremlin conseguiu aproveitar a guerra de aniquilação travada por Israel em Gaza, desde Outubro de 2023, para intensificar a sua própria guerra contra a Ucrânia. Não só Moscovo aproveitou ao máximo os “duplos pesos e duas medidas” das capitais ocidentais entre a Ucrânia e Gaza, mas Vladimir Putin também, de facto, concordou com Benjamin Netanyahu em desacreditar e enfraquecer Joe Biden, favorecendo assim o regresso de Donald Trump à Casa Branca em Janeiro de 2025.

A União Europeia (UE) e os seus vários componentes não compreenderam, no entanto, a armadilha que o triângulo Trump-Putin-Netanyahu representa em termos de exaltação da força bruta. Os líderes do Velho Continente não mediram o terrível risco da abordagem “transacional” favorecida por este trio, uma abordagem que ameaça os próprios fundamentos do Estado de direito e, portanto, da construção europeia.

“Putin quer ser útil”

Eles persistiram, ao longo de 2025, em submeter-se aos ditames de Trump e Netanyahu em Gaza, na esperança de conciliar a Casa Branca sobre a questão ucraniana. Condenaram-se assim a serem meros espectadores das negociações entre Washington e Moscovo, enfraquecendo a Ucrânia ao abandonar Gaza. Trump chegou mesmo a convidar os líderes muito agressivos da Rússia e de Israel para participarem no seu Conselho de Paz, um convite que Putin recusou, ao contrário de Netanyahu.

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