Você recebeu um alerta de neve apocalíptica em seu smartphone? Cuidado. Entre modelos globais pouco sensíveis aos nossos relevos e falta de análise humana, os aplicativos nativos podem dramatizar a situação. Veja por que você não deve acreditar apenas na palavra deles.
O aplicativo de previsão do tempo instalado por padrão em nossos smartphones é obrigatório. Episódios recentes de chuva ou neve, em França ou nos Estados Unidos, reacenderam o debate em torno destas aplicações que tendem a dramatizar os acontecimentos. Não é incomum ver um alerta indicando 20 centímetros de neve ou inundações severas, apenas para se encontrar no grande dia com algumas gotas de chuva, no máximo.
Seu aplicativo está com bugs? Não. O problema é estrutural, porque a maioria dos aplicativos de consumo processa informações de maneira automatizada, enquanto o clima exige nuances.
O algoritmo contra o especialista: a armadilha dos dados brutos
Para entender essas falhas, é preciso olhar por baixo do capô. Um meteorologista profissional, como os da Météo France, nunca confia numa única fonte. Ele compila um arsenal de modelos, analisa “conjuntos” de cenários e aplica seu conhecimento na área.
Por outro lado, seu smartphone muitas vezes apenas suga dados brutos. Esses aplicativos geralmente dependem de um modelo primário, por exemplo, o modelo GFS dos EUA por meio de fornecedores como The Weather Channel ou AccuWeather. Você pode não estar ciente disso, mas por trás do ícone “neve”, muitas vezes há apenas um cenário numérico entre dezenas de possibilidades. Se o modelo se deixar levar, a tela do seu celular exibe isso com certeza, sem o filtro de um humano para temperar as informações.
Guerra de modelos e “cegueira” local
Isto é particularmente evidente durante as tempestades de inverno. Nos bastidores, os modelos globais (o GFS americano e o ECMWF europeu) confrontam-se frequentemente com cenários contraditórios alguns dias antes do prazo: um vê neve, o outro chuva. O aplicativo decide arbitrariamente.
Além disso, estes modelos globais têm uma resolução demasiado baixa para compreender as especificidades locais. Uma investigação de 60 milhões de consumidores já sublinhou que estes modelos são muitas vezes “cegos” aos relevos franceses. Eles “vêem” o clima em grades de vários quilômetros: nesta escala, um vale profundo ou uma encosta exposta ao vento pode simplesmente desaparecer. Resultado: previsões de neve por vezes muito distantes da realidade, principalmente nas planícies ou em zonas de transição.
Você deve excluir seu aplicativo de previsão do tempo?
Não necessariamente, mas precisamos mudar a forma como o usamos. Para saber se vai chover dentro de uma hora ou como se vestir amanhã de manhã, o Apple Weather, o Google ou o aplicativo nativo do fabricante continuam sendo ferramentas práticas, especialmente graças aos radares de precipitação em tempo real.
Por outro lado, para planejar um fim de semana com neve ou antecipar uma tempestade, tenha cuidado com os pictogramas simplistas em D+7.
A estratégia certa?
Fontes de referência cruzada. Dê preferência a aplicativos que exibam porcentagens de probabilidade em vez de declarações. E para áreas complexas (montanhas, litoral), conte com atores locais ou boletins escritos por meteorologistas reais. Em resumo: mantenha seu aplicativo para o momento presente, mas para previsões de vários dias, confie nos humanos… e em nossa seleção:
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Por: Ópera
Fonte :
O jornal New York Times