Cerca de uma centena de autoridades eleitas estão se posicionando contra a mecânica de distribuição do Facebook e do Instagram. Denunciam uma “bolha masculina” que corre o risco de transformar a sua campanha política num site de encontros, ameaçando o pluralismo do debate.

É uma ameaça invisível que poderá pesar na serenidade da próxima campanha municipal. O cerne do problema não está nas urnas, mas nos canais das redes sociais. Uma distribuição de conteúdos que parece desfavorável às mulheres, ou pelo menos tendenciosa: esta é a amarga observação de Élodie Jeanneteau, assessora do departamento ambiental. Na sexta-feira, 23 de janeiro, ela foi à sede da Meta France, acompanhada por uma plataforma assinada por uma centena de autoridades eleitas, para exigir transparência e responsabilização do gigante americano.

Uma campanha eleitoral ou um perfil julgado como conteúdo do tipo Tinder?

Os sentimentos partilhados por estas mulheres políticas são claros. Pela mecânica de recomendação das plataformas, eles temem ser “categorizado” critérios de género antes de serem considerados para o seu cargo eleito. Élodie Jeanneteau fez as contas: seus vídeos alcançariam um público composto por 86% de homens. Uma distribuição predominantemente masculina que não pode ser explicada por um súbito interesse pelos seus ficheiros técnicos, mas sim por preconceitos de orientação.

A consequência disso “bolha de filtro” é imediato. Em vez de debater ideias, as seções de comentários muitas vezes se transformam em um fórum para comentários sobre físico, roupas ou até mesmo um espaço para flertes intensos. Elise Cassetto-Gadrat, eleita em Calvados, diz que recebe propostas de casamento e mensagens privadas inapropriadas após publicações políticas. Estamos muito longe do debate republicano.

O algoritmo, um cúmplice involuntário do assédio?

O problema é técnico, mas os seus efeitos são sociais. ONG como a Amnistia Internacional já documentaram estes preconceitos noutros contextos: ao procurar envolvimento a todo o custo, a ferramenta corre o risco de empurrar conteúdos para aqueles que reagem mais, mesmo que essas reações sejam sexistas ou polémicas. É este círculo vicioso que preocupa os signatários.

Nicole Ameline, especialista da ONU em direitos das mulheres, vê isto como um grande risco para o pluralismo. Se os candidatos ficarem presos a um público que não ouve as suas ideias, a igualdade de acesso ao debate público fica comprometida.

Meta joga a carta da complexidade

Perante esta revolta, a resposta da Meta continua a ser muito corporativa. Contactado, o grupo remete para as suas regras gerais, evocando “milhares de sinais” levado em conta para a classificação do conteúdo, sem reconhecer a existência de um viés estrutural. Esta explicação já não é suficiente para os signatários da plataforma, que agora exigem total transparência nos critérios de recomendação, para que a tecnologia não se torne um obstáculo invisível à paridade e ao pluralismo na política.

Numa altura em que a Lei Europeia dos Serviços Digitais (DSA) impõe deveres acrescidos de transparência às plataformas, esta luta levanta a questão de quem, o algoritmo ou o cidadão, realmente decide o que vale a pena ver durante uma eleição.

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