Elon Musk não mede palavras e, pela primeira vez, parabeniza um de seus maiores concorrentes: o Xpeng. A empresa chinesa, que fabrica carros elétricos, acaba de lançar um robô. E o chefe da Tesla parece surpreso.

Ferro Robô da Xpeng // Fonte: Xpeng

Nada mal… Tesla e empresas chinesas dominarão o mercado »: o chefe da Tesla reconheceu publicamente as qualidades do robô Iron da Xpeng, ao mesmo tempo que afirmou que apenas as empresas chinesas e americanas dominarão o mercado de robôs humanóides.

Elon Musk não hesitou em denegrir os seus concorrentes ocidentais de passagem: “ Outras empresas ocidentais são fracas“. Uma declaração que diz muito sobre o estado da concorrência neste setor emergente.​

​Essas declarações ocorrem poucos dias após a apresentação do robô Iron de segunda geração durante o Xpeng AI Day 2025, em 5 de novembro, conforme divulgado CnEVPost.

Musk também expressou seu respeito pela concorrência chinesa: “ Tenho grande respeito pela concorrência chinesa. Tantas pessoas inteligentes e trabalhadoras na China”.​

Este reconhecimento público de um concorrente direto continua a ser incomum por parte de Elon Musk, especialmente porque a Tesla encontra dificuldades com o seu próprio robô Optimus. O fabricante norte-americano teve de rever em baixa os seus objetivos de produção para 2025, de 5.000 para cerca de 2.000 unidades, devido a problemas técnicos persistentes, nomeadamente no que diz respeito ao design dos ponteiros.

Um robô tão realista que gera polêmica

A apresentação do robô Iron gerou polêmica acalorada nas redes sociais chinesas. Durante a sua demonstração pública, o robô realizou um desfile com movimentos fluidos e posturas de tal precisão que muitos observadores suspeitaram que Xpeng tivesse escondido um humano dentro do protótipo.

Esta controvérsia rapidamente se tornou um trending topic, forçando He Xiaopeng, CEO da Xpeng, a postar um vídeo não editado no Weibo para provar a autenticidade de seu robô. Neste vídeo, ele demonstra os detalhes da mão robótica e do conjunto de microfones posicionados próximos às orelhas.

Um comentário de usuário compartilhado pelo CEO resume o espanto geral: “ O robô de Tesla não consegue andar tão suavemente, não há como isso ser possível“.​

Especificações técnicas impressionantes

O robô Iron se destaca por sua arquitetura biomimética avançada. Medindo 1,73 metros e pesando aproximadamente 70 quilos, possui 82 graus de liberdade, sendo 22 para cada mão. Essa destreza manual permite ao robô manusear tanto objetos grandes quanto elementos extremamente pequenos e frágeis, um grande desafio na robótica.

O sistema nervoso artificial do Iron é baseado em três chips Turing desenvolvidos pela Xpeng ao longo de cinco anos. Esses processadores oferecem um poder de computação cumulativo de 2.250 TOPS (tera-operações por segundo), segundo o fabricante. Esse recurso alimenta o modelo Visão-Linguagem-Ação 2.0 (VLA 2.0), que integra percepção visual, compreensão da linguagem e ação física em um sistema unificado.

Robô Optimus da Tesla, apresentado na feira Viva Technology em Paris, 12 de junho de 2025 // Fonte: BENOIT TESSIER / REUTERS

A outra inovação técnica notável diz respeito à fonte de energia: o Iron utiliza uma bateria de estado sólido, capaz de atingir uma densidade de energia superior a 500 Wh/kg, o dobro da instalada no Optimus da Tesla. Essa tecnologia reduz o peso e o volume da bateria, ao mesmo tempo que libera espaço para outros componentes.​

Uma batalha industrial cada vez mais intensa

A Xpeng pretende lançar a produção em massa de robôs humanóides avançados até o final de 2026. A empresa pretende implantar o Iron em diversos setores: guia turístico, agente de trânsito ou consultor de vendas.

Este cronograma coloca o fabricante chinês em posição de potencialmente ultrapassar a Tesla no mercado de consumo de robótica humanóide. A estratégia da Xpeng baseia-se na sua experiência em veículos eléctricos e sistemas de condução autónoma, tecnologias que partilham componentes comuns com a robótica.

O mercado de robôs humanóides conta com enorme apoio governamental na China. Declarado prioridade nacional, o sector já atraiu financiamento superior a 170 mil milhões de yuans (cerca de 25 mil milhões de dólares). O próprio governo chinês comprou robôs humanóides no valor de 214 milhões de yuans em 2024, em comparação com apenas 4,7 milhões no ano anterior.

Esta corrida tecnológica vai além do simples confronto Tesla-Xpeng. Jogadores estabelecidos como Xiaomi e BYD, bem como start-ups como A Unitree Robotics (que vimos na CES em 2025) também está desenvolvendo seus próprios robôs humanóides. A China pretende tornar-se líder mundial nesta área até 2027, tendo já ultrapassado os Estados Unidos em termos de implantação de robôs industriais.​




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