As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte nas mulheres, muitas vezes subdiagnosticadas e mal compreendidas. Mas uma equipa de investigadores australianos levantou o véu sobre um mecanismo que poderá muito bem mudar a nossa visão actual.

Um hormônio conhecido por todos,estrogêniodesempenharia um papel fundamental na proteção do coração feminino. Esta descoberta, que foi objecto de uma publicação em Biologia da Comunicaçãoabre um caminho promissor para tratamentos desenvolvidos especificamente para mulheres.

Um hormônio conhecido, uma proteína ainda misteriosa

Liderado pelo Instituto Monash de Ciências Farmacêuticas (MIPS), o estudo revela que os hormônios sexuais femininos estrogênio aumentam os níveis de uma proteína chamada anexina-A1 (ANXA1).

Os investigadores já tinham identificado o papel fundamental desta proteína na regulação da pressão arterial. Desta vez, observaram que em camundongos fêmeas privados de ANXA1, ohipertensão causou danos muito mais sérios ao coração e aos vasos.

Em outras palavras, os estrogênios ativam um mecanismo natural de defesa contra os efeitos deletérios da pressão arterial. Esta ligação direta entre os hormônios femininos e a proteção cardíaca nunca foi formalmente demonstrada.

Um grande avanço na compreensão da saúde cardíaca das mulheres

Este resultado responde a uma pergunta: por que algumas mulheres parecem resistir melhor às complicações da hipertensão antes da menopausa? A resposta pode muito bem estar nesta dupla estrogênio-ANXA1, ativa desde que o corpo produza hormônios naturalmente.

Há uma necessidade urgente de descobrir os mecanismos específicos subjacentes à hipertensão e às suas complicações cardiovasculares nas mulheres, uma população que permanece pouco estudada. », sublinha o Dra. Chengxue Helena Qincoautor do estudo.

Ela lembra que as mulheres têm sido sub-representadas há muito tempo na pesquisa sobre doenças cardiovasculareso que atrasou o desenvolvimento de tratamentos adequados.


As ondas de calor são o sintoma mais comum da menopausa. Mas o outro lado é que a queda do estrogênio também reduz a proteção do coração, aumentando o risco de hipertensão e complicações cardiovasculares nas mulheres. © Fizkes, Shutterstock

Rumo a tratamentos direcionados para mulheres hipertensas?

Esta descoberta abre perspectivas terapêuticas concretas. A equipe planeja agora testar medicamentos que possam imitar ou estimular a ação da ANXA1. Objetivo: oferecer proteção adicional às mulheres hipertensas, principalmente após a menopausa, quando os níveis de estrogênio caem naturalmente.

Em última análise, este caminho poderá levar a uma medicina cardiovascular mais personalizada, que respeite as diferenças entre os sexos. E, finalmente, responder a uma realidade que ainda é muitas vezes negligenciada: o coração das mulheres não funciona exatamente como o dos homens.

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