Há cerca de 9.500 anos, nas encostas do Monte Hora, onde hoje é o Malawi, caçadores-coletores cremaram intencionalmente o corpo de uma mulher adulta. Esta descoberta, publicada em 1er Janeiro em Avanços da Ciênciaconstitui a mais antiga evidência de cremação voluntária em África e a mais antiga pira funerária para adultos encontrada no local no mundo. O local, utilizado como cemitério entre 8.000 e 16.000 aC, rendeu apenas um caso de cremação, reforçando seu caráter excepcional.

A análise de 170 fragmentos ósseos revela que o falecido tinha menos de 1,50 metros de altura e tinha entre 18 e 60 anos. Ferramentas de pedra, provavelmente depositadas para fins rituais, também foram descobertas entre os restos carbonizados.

Um corpo decapitado e gestos cheios de significado

Perturbadoramente, nenhum fragmento de dente ou osso de crânio foi encontrado. Para os pesquisadores, a cabeça teria sido retirada antes da cremação. Cortes observados em alguns ossos também sugerem que partes do corpo foram separadas ou despojadas. Esses gestos poderiam estar ligados a práticas de memória coletiva, respeito aos antepassados ​​ou rituais simbólicos complexos.

Os cientistas também acreditam que a cremação ocorreu logo após a morte, antes de qualquer decomposição avançada do corpo.

Um ritual coletivo que questiona

A cremação continua extremamente rara entre os caçadores-coletores, tanto antigos como modernos, devido aos recursos consideráveis ​​que requer. A pira do Malawi teria exigido pelo menos 30 kg de bebida e ervas, continuamente mantidas acima dos 500°C, implicando uma acção colectiva coordenada.


Reconstrução do ritual de cremação: uma ação coletiva complexa que mobiliza recursos significativos e revela uma organização social insuspeitada entre caçadores-coletores. © BPF, Instituto de Origens Humanas, Universidade Estadual do Arizona

Vestígios de grandes incêndios, datados de vários séculos antes e depois da cremação, indicam que este local manteve uma forte importância simbólica ao longo do tempo. Resta um enigma: por que esta mulher é a única que se beneficiou desse tratamento? Para os pesquisadores, ela deve ter ocupado um lugar especial dentro de sua comunidade. Um mistério que esta pira milenar só aprofunda.

Fonte

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *