Pesquisador da Universidade de Ghent, na Bélgica, Jaafar Alloul trabalha na sociologia das migrações. É autor, em particular, de uma tese sobre a mobilidade de trabalhadores qualificados europeus de origem norte-africana para os Emirados Árabes Unidos, defendida em 2020 na Universidade de Amesterdão.

Porque é que as pessoas que pertencem ao CSP+ e, portanto, parecem estar muito bem integradas, decidem sair de França?

A discriminação vai muito além da simples capacidade, ou não, de obter um rendimento proporcional aos seus diplomas ou aspirações profissionais. Diria que a discriminação baseada no sexo não existe em França porque as mulheres hoje beneficiam de uma maior igualdade salarial e de um melhor acesso ao mercado de trabalho? Não. Os tectos de vidro persistem nos locais de trabalho e na sociedade em geral. O mesmo vale para “tetos raciais”. Além disso, aqueles que enfrentam formas sofisticadas de discriminação num ambiente profissional são muitas vezes aqueles que já iniciaram uma mobilidade social considerável. À medida que sobem na hierarquia, as fricções sociais intensificam-se devido ao aumento da hostilidade e à competição mais feroz pelo estatuto social associado.

O que eles procurarão no exterior?

Uma mudança para Dubai, Nova Iorque, Londres ou mesmo Singapura pode oferecer mais oportunidades profissionais, rendimentos mais elevados e mobilidade social acelerada. Mas há também uma sensação de alívio existencial, ou seja, poder livrar-se, pelo menos temporariamente, de uma forma de estigma racial profundo e poder levar uma vida mais “livre” e anónima.

Você ainda tem 52,39% deste artigo para ler. O restante é reservado aos assinantes.

Fonte

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *